O aumento expressivo das hospitalizações por asma no Brasil reforça a necessidade de cuidados durante os meses mais frios. Entre 2020 e 2025, o número de internações relacionadas à doença passou de 47.814 para 78.314, avanço de 63%.
No inverno, as baixas temperaturas, a circulação mais intensa de vírus respiratórios e o maior tempo de permanência em locais fechados favorecem o aparecimento ou o agravamento das crises.
A asma é uma condição crônica provocada pela inflamação das vias aéreas. Falta de ar, chiado, sensação de aperto no peito e tosse estão entre as manifestações mais frequentes. Em alguns pacientes, porém, a tosse pode ser o único sinal perceptível.
Ambientes fechados aumentam exposição
A pneumologista Adriana Veloso explica que crianças e adultos costumam permanecer mais tempo dentro de casa durante o inverno. Com isso, aumenta o contato com substâncias capazes de desencadear crises.
Poeira doméstica, mofo, pelos de animais, alterações bruscas de temperatura e infecções virais estão entre os principais fatores de risco.
Para diminuir a exposição, a recomendação é manter os ambientes ventilados, reduzir o acúmulo de poeira e combater a presença de umidade e mofo.
A vacinação contra a gripe e a Covid-19 também deve estar atualizada, pois as infecções respiratórias podem agravar o quadro de pessoas com asma.
Tosse leve pode esconder doença ativa
A experiência de Lucas, de 7 anos, mostra que a ausência dos sintomas mais conhecidos não significa necessariamente que a inflamação esteja controlada.
O menino recebeu o diagnóstico depois de apresentar dificuldade para respirar durante um resfriado. A partir de então, iniciou tratamento com corticoide inalatório.
Como os sintomas desapareceram, a medicação foi interrompida. No começo de 2026, durante uma consulta de rotina, a mãe, Jamille Oliveira, relatou que o filho apresentava apenas uma tosse leve e esporádica.
Apesar da manifestação discreta, os exames identificaram um nível elevado de inflamação nos pulmões. A médica classificou o quadro como uma forma silenciosa da asma, sem episódios frequentes de chiado ou falta de ar intensa.
Lucas voltou a utilizar a medicação inalatória. Três meses depois, os novos exames indicaram redução dos níveis inflamatórios, embora o problema ainda estivesse presente.
Ausência de crise não significa cura
Por se tratar de uma doença crônica, a asma precisa ser acompanhada mesmo nos períodos em que o paciente não apresenta sintomas.
Adriana Veloso alerta que o desaparecimento das crises não significa que a inflamação tenha terminado. Suspender o tratamento sem orientação pode aumentar o risco de piora e de novas internações.
As consultas regulares e os exames ajudam a verificar se a doença está realmente controlada. A partir dos resultados, o médico pode manter, reduzir ou ajustar as doses utilizadas.
A decisão sobre qualquer mudança no tratamento deve ser tomada por um profissional de saúde, considerando as características e a evolução de cada paciente.
Mitos sobre bombinha prejudicam pacientes
Informações falsas sobre os medicamentos utilizados contra a asma ainda representam um obstáculo para o controle da doença.
Entre as crenças mais comuns estão as de que a bombinha provoca dependência ou causa problemas cardíacos. Esses receios podem fazer com que pacientes ou familiares diminuam as doses ou interrompam o uso por conta própria.
A suspensão inadequada permite que a inflamação continue avançando, mesmo quando não existem sinais evidentes. O paciente pode voltar a apresentar crises e precisar de atendimento hospitalar.
O uso correto da medicação, conforme a prescrição, é uma das principais medidas para controlar os sintomas e evitar complicações.
Sintomas persistentes exigem avaliação
Tosse recorrente, cansaço, chiado ou dificuldade para respirar não devem ser considerados normais, especialmente quando se repetem durante a noite ou nas primeiras horas da manhã.
Essas manifestações precisam ser informadas ao médico, mesmo que pareçam leves ou não impeçam completamente as atividades diárias.
Com o tratamento adequado, pessoas com asma podem estudar, trabalhar, praticar exercícios e manter uma rotina sem limitações importantes.
Crises frequentes e dificuldade constante para realizar esforços podem indicar que a doença não está controlada ou que o tratamento precisa ser revisto.
Sinais indicam necessidade de atendimento urgente
Algumas manifestações exigem busca imediata por assistência médica.
Falta de ar intensa, dificuldade para falar, coloração arroxeada nos lábios e piora rápida do quadro estão entre os sinais de maior gravidade.
Nessas situações, o atendimento não deve ser adiado. A avaliação rápida é necessária para controlar a crise e reduzir o risco de complicações.
Durante o inverno, manter o tratamento, cuidar da limpeza dos ambientes e observar alterações respiratórias são medidas essenciais para evitar que a asma silenciosa ou aparentemente controlada evolua para um quadro mais grave.
*Da Agência Fonte Exclusiva
