Embora ainda seja pouco conhecido por parte da população, o hantavírus é considerado uma ameaça importante à saúde por poder causar doenças graves e até fatais.
Organizações internacionais, como a Organização Mundial da Saúde (OMS) e os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), alertam que o principal risco está no contato com roedores infectados e seus excrementos.
Os hantavírus fazem parte de um grupo de vírus zoonóticos que circulam naturalmente entre roedores e podem ser transmitidos aos seres humanos em determinadas situações.
Nas Américas, a infecção está relacionada à Síndrome Pulmonar por Hantavírus (SPHV), doença de rápida evolução que compromete pulmões e coração.
Já na Europa e na Ásia, os vírus costumam provocar a Febre Hemorrágica com Síndrome Renal (FHSR), que afeta principalmente os rins e os vasos sanguíneos.
Especialistas afirmam que ainda existem muitos mitos envolvendo a doença. Um dos mais comuns é acreditar que o hantavírus está restrito a áreas rurais ou florestais.
Na prática, o perigo está ligado à presença de roedores contaminados, independentemente do ambiente. Casas fechadas, depósitos, galpões e locais infestados por ratos também podem representar risco.
Outro erro frequente é imaginar que a transmissão ocorre apenas por mordidas de roedores. Segundo autoridades sanitárias, a principal forma de contágio acontece pela inalação de partículas contaminadas presentes na urina, fezes ou saliva dos animais infectados.
Durante a limpeza de ambientes com poeira contaminada, essas partículas podem ser dispersas no ar e inaladas.
Por esse motivo, os CDC recomendam que locais com sinais de infestação não sejam varridos ou aspirados a seco.
A orientação é umedecer previamente o ambiente com água sanitária ou desinfetante antes da limpeza, reduzindo a possibilidade de espalhamento do vírus.
Especialistas também esclarecem que nem todos os roedores carregam hantavírus. Apenas animais infectados transmitem a doença, e determinadas espécies funcionam como reservatórios naturais dependendo da região do mundo. Na América do Norte, por exemplo, o rato-veado é considerado um dos principais transmissores.
Outro ponto importante envolve a transmissão entre pessoas. De maneira geral, o hantavírus não é transmitido de humano para humano. A única exceção registrada até hoje envolve o vírus Andes, identificado nas Américas, em situações raras de contato muito próximo e prolongado entre familiares ou parceiros íntimos.
Apesar da gravidade, a doença não é sempre fatal. O prognóstico depende principalmente da rapidez do diagnóstico e do início do atendimento médico. Ainda assim, especialistas alertam que a infecção possui alta taxa de mortalidade, especialmente nos casos que evoluem para insuficiência respiratória grave.
As autoridades de saúde reforçam que o controle de roedores é a principal medida de prevenção.
Entre as recomendações estão manter ambientes limpos, vedar frestas e buracos que permitam a entrada de ratos, armazenar alimentos corretamente e evitar contato direto com fezes e urina dos animais.
Grupos considerados mais vulneráveis, como crianças pequenas, gestantes e pessoas imunossuprimidas, devem evitar contato com roedores domésticos ou de estimação. Profissionais que trabalham com controle de pragas, limpeza de locais infestados ou manejo de animais também precisam adotar cuidados específicos.
Outro mito combatido pelos especialistas é a ideia de que apenas idosos ou pessoas com doenças pré-existentes podem ser infectados. Embora indivíduos imunossuprimidos possam desenvolver formas mais graves, qualquer pessoa exposta ao vírus pode adoecer.
Atualmente, não existe vacina aprovada nem medicamento antiviral específico para o hantavírus. O tratamento é baseado em suporte hospitalar intensivo, podendo incluir ventilação mecânica, oxigenação e até diálise em casos graves.
Os sintomas iniciais costumam dificultar o diagnóstico precoce porque se parecem com os de outras doenças respiratórias e febris, como gripe, covid-19, dengue, leptospirose e pneumonia viral.
Os primeiros sinais geralmente aparecem entre uma e oito semanas após a exposição ao vírus e incluem febre, dores musculares, dor de cabeça, náusea, vômitos e desconforto abdominal.
Nos casos de Síndrome Pulmonar por Hantavírus, o quadro pode evoluir rapidamente para tosse intensa, dificuldade respiratória e acúmulo de líquido nos pulmões. Já na Febre Hemorrágica com Síndrome Renal, podem ocorrer hemorragias, queda de pressão arterial e insuficiência renal.
Recentemente, o hantavírus voltou a ganhar repercussão internacional após um surto registrado no navio de cruzeiro MV Hondius, de bandeira neerlandesa, que realizava rota entre Ushuaia, na Argentina, e Cabo Verde, na África Ocidental.
Três passageiros morreram após apresentarem sintomas compatíveis com a doença durante a viagem.
O primeiro caso envolveu um homem que começou a apresentar sintomas em 6 de abril e morreu cinco dias depois ainda a bordo.
Posteriormente, sua esposa também adoeceu, desembarcou na ilha de Santa Helena e morreu após agravamento do quadro durante um voo para Joanesburgo. Uma terceira passageira apresentou sintomas no fim de abril e morreu em 2 de maio.
Apesar da repercussão do episódio, a Organização Mundial da Saúde avalia como baixo o risco de disseminação para a população em geral, incluindo moradores das ilhas Canárias, onde a embarcação deve atracar para desembarque dos passageiros restantes.
*Da Agência Fonte Exclusiva
