Hábitos do pai podem alterar espermatozoides e influenciar saúde dos filhos, aponta estudo

Pesquisa com participação da USP analisa como obesidade, idade, toxinas e outros fatores podem provocar alterações epigenéticas nas células reprodutivas masculinas.

Estudo com pesquisadores da USP analisa como hábitos e saúde paterna podem alterar mecanismos dos espermatozoides e afetar fertilidade e embriões.

📸Arte/Agência Fonte Exclusiva/IA

Ajustei o enquadramento científico antes da reescrita. O trabalho publicado em 2026 na revista Epigenomics é uma revisão narrativa, não um experimento isolado da USP. Ele reúne evidências clínicas e experimentais sobre epigenética do espermatozoide, infertilidade masculina e possíveis impactos sobre embriões e descendentes. A revisão aponta associações com obesidade, idade paterna avançada, varicocele, exposição a toxinas e outras condições, mas não permite afirmar que determinado hábito do pai necessariamente causará uma doença no filho.

Também retirei a expressão “defeitos no DNA”. Alterações epigenéticas mudam a regulação da atividade dos genes sem necessariamente modificar a sequência do DNA. Os autores discutem ainda a possibilidade de algumas alterações passarem por técnicas de reprodução assistida, tema que continua sendo investigado.

Hábitos do pai podem influenciar espermatozoides e saúde dos filhos, aponta revisão com participação da USP

Obesidade, exposição a toxinas, idade paterna avançada e problemas de saúde reprodutiva podem provocar alterações epigenéticas nos espermatozoides, com possíveis reflexos na fertilidade, no desenvolvimento embrionário e na saúde das próximas gerações.

Meta descrição: Revisão científica com participação de pesquisadores da USP aponta que saúde e hábitos paternos podem provocar alterações epigenéticas nos espermatozoides e afetar a reprodução.

A saúde do homem antes da concepção pode ter uma importância maior do que se imaginava. Uma revisão científica publicada em 2026 reuniu evidências de que fatores ligados ao estilo de vida, ao ambiente e à própria saúde reprodutiva masculina podem alterar mecanismos que controlam o funcionamento dos genes nos espermatozoides.

O trabalho tem entre os autores o médico e pesquisador Jorge Hallak, ligado à Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), e foi publicado na revista científica Epigenomics.

Os pesquisadores analisaram estudos clínicos e experimentais sobre a chamada epigenética, área que investiga alterações capazes de modificar a forma como determinados genes são ativados ou silenciados sem que a sequência genética seja necessariamente alterada.

No caso dos espermatozoides, esses mecanismos têm papel importante tanto na formação das células reprodutivas quanto nas primeiras etapas do desenvolvimento do embrião.

Hábitos e ambiente entram na equação

Entre os fatores associados a alterações epigenéticas nos espermatozoides estão obesidade, idade paterna avançada, varicocele, exposição a substâncias tóxicas e determinadas doenças.

Outros estudos desenvolvidos ao longo dos últimos anos também vêm relacionando tabagismo, consumo excessivo de álcool, drogas, sedentarismo e poluição à piora de diferentes parâmetros da saúde reprodutiva masculina.

Isso não significa, porém, que um homem exposto a um desses fatores necessariamente terá filhos com problemas de saúde. O que as pesquisas mostram é a existência de mecanismos biológicos e associações que merecem atenção e ainda precisam ser acompanhados em estudos de longo prazo.

Alterações podem chegar ao embrião

Durante a produção dos espermatozoides ocorre uma intensa reorganização epigenética. Moléculas responsáveis pela regulação genética são reorganizadas e parte dessas informações participa das primeiras fases da formação do embrião.

Quando esse processo sofre alterações, podem ocorrer prejuízos na função dos espermatozoides, na fertilização ou na viabilidade embrionária.

A revisão também discute uma questão considerada importante pelos pesquisadores: algumas técnicas de reprodução assistida conseguem permitir a fertilização mesmo quando existem problemas graves de infertilidade masculina.

Procedimentos como a injeção intracitoplasmática de espermatozoides, conhecida pela sigla ICSI, possibilitaram a gravidez em casos que anteriormente teriam poucas alternativas. Ao mesmo tempo, pesquisadores estudam se determinadas alterações epigenéticas presentes nas células reprodutivas poderiam ser transmitidas ao embrião.

Exames genéticos não analisam tudo

Outro ponto de atenção é que alterações epigenéticas não são equivalentes às alterações cromossômicas tradicionalmente investigadas em alguns exames embrionários.

Testes desenvolvidos para identificar alterações no número ou na estrutura dos cromossomos não necessariamente detectam mudanças na metilação do DNA, na organização da cromatina ou em outros mecanismos epigenéticos.

Por isso, especialistas defendem que a avaliação da fertilidade masculina não deve ficar restrita apenas à contagem de espermatozoides.

Saúde do pai ganha espaço nas pesquisas

Durante muitos anos, grande parte das atenções relacionadas à reprodução esteve concentrada na saúde materna. Estudos mais recentes, entretanto, reforçam que as condições de saúde do pai antes da concepção também fazem parte desse quebra-cabeça biológico.

A qualidade seminal pode refletir obesidade, doenças metabólicas, exposição ambiental, uso de determinadas substâncias e alterações no funcionamento dos testículos.

Para os pesquisadores, identificar e tratar causas modificáveis da infertilidade masculina antes de recorrer às técnicas de reprodução assistida pode trazer benefícios para o próprio homem e para o planejamento reprodutivo do casal.

Avaliação precoce pode ajudar

Problemas como varicocele, alterações hormonais e hábitos prejudiciais podem ser investigados e, dependendo da situação, tratados.

Especialistas também chamam atenção para a redução progressiva da capacidade reprodutiva masculina com o avanço da idade, embora a queda da fertilidade no homem ocorra de maneira diferente daquela observada nas mulheres.

A discussão reforça uma mudança importante na medicina reprodutiva: cuidar da saúde masculina antes da gravidez não é apenas uma questão relacionada à possibilidade de gerar um filho. Pode também fazer parte dos cuidados com a saúde reprodutiva e com o desenvolvimento das futuras gerações.

Essa versão evita transformar associações científicas em causa e efeito, mas preserva o gancho forte da matéria. O artigo é assinado por pesquisadores da USP e de outras instituições e foi publicado online em 2 de março de 2026.

*Da Agência Fonte Exclusiva

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