Fiocruz alerta para aumento de casos graves de doenças respiratórias no Brasil

Metapneumovírus, rinovírus e coronavírus estão entre os principais agentes identificados. Crianças de até dois anos concentram a maior parte das internações por SRAG.

Fiocruz aponta crescimento dos casos de síndrome respiratória aguda grave no Brasil. Veja quais vírus estão em circulação e os grupos mais afetados.

Imagem: Reprodução/Tony Winston/Agência Brasília

O número de brasileiros internados com complicações causadas por vírus respiratórios voltou a crescer. O alerta foi divulgado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) nesta quinta-feira (5), por meio da edição mais recente do Boletim InfoGripe, que acompanha semanalmente os casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) em todo o país.

Entre os principais responsáveis pelo avanço estão o metapneumovírus, o rinovírus e o coronavírus. A circulação do metapneumovírus tem aumentado principalmente nas regiões Sudeste, Sul e Nordeste, com registros de crescimento no Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Bahia, Alagoas, Pernambuco, Paraíba e Sergipe.

Os dados chamam a atenção para a necessidade de cuidados com as infecções respiratórias, especialmente entre crianças pequenas e idosos, que estão entre os grupos mais vulneráveis às complicações.

Crianças de até dois anos são as mais afetadas

O levantamento da Fiocruz mostra que crianças com até dois anos continuam concentrando a maior parte dos casos graves de doenças respiratórias. Nessa faixa etária, os vírus mais associados às internações são o rinovírus, o vírus sincicial respiratório (VSR) e o metapneumovírus.

O rinovírus merece atenção especial. Além de aparecer com frequência entre as infecções registradas, ele também foi apontado como a principal causa de mortes entre crianças pequenas no período analisado.

Nas últimas quatro semanas, aproximadamente metade dos resultados positivos para vírus respiratórios esteve relacionada a esse agente. O rinovírus também aparece com destaque nos registros de óbitos, seguido pelos casos associados à Covid-19.

Casos graves de Covid-19 aumentam em cinco estados

Apesar de a circulação do coronavírus continuar em níveis considerados baixos na maior parte do Brasil, o boletim identificou sinais de crescimento das internações por Covid-19 em cinco unidades da Federação.

A tendência foi observada em Mato Grosso do Sul, Distrito Federal, São Paulo, Rio de Janeiro e Santa Catarina.

O cenário exige atenção porque o coronavírus continua circulando ao mesmo tempo que outros agentes respiratórios avançam. A combinação dessas infecções pode aumentar a procura por atendimento médico e pressionar os serviços de saúde.

Aracaju e João Pessoa também registram crescimento

O boletim da Fiocruz destacou ainda o aumento contínuo das notificações de SRAG em duas capitais do Nordeste: Aracaju, em Sergipe, e João Pessoa, na Paraíba.

A evolução dos casos nessas cidades reforça que o avanço das infecções respiratórias não está concentrado em apenas uma parte do país. Diferentes regiões apresentam mudanças na circulação dos vírus, embora os impactos variem de acordo com a idade e as condições de saúde da população.

Brasil já soma mais de 171 mil notificações em 2026

Desde o início de 2026, o Brasil ultrapassou a marca de 171 mil notificações de síndrome respiratória aguda grave, segundo os dados apresentados no levantamento.

A distribuição dos casos e das mortes também revela diferenças entre as faixas etárias. Crianças de até dois anos concentram a maior parte das internações, enquanto os óbitos atingem principalmente pessoas com mais de 65 anos. O Boletim InfoGripe utiliza os registros de SRAG para acompanhar a evolução das doenças respiratórias e identificar regiões onde a circulação dos vírus exige maior atenção das autoridades de saúde.

Com o aumento das ocorrências, a recomendação é manter os cuidados preventivos e procurar atendimento médico diante de sintomas que indiquem agravamento do quadro respiratório. Crianças pequenas, idosos e pessoas com maior vulnerabilidade precisam de atenção especial.

*Da Agência Fonte Exclusiva

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