Excesso de telas e falta de sol: o que explica o avanço alarmante da miopia

Especialistas apontam mudanças no estilo de vida e excesso de telas como principais fatores para o aumento dos casos

Miopia cresce no mundo e preocupa médicos; uso de telas e falta de sol estão entre as causas.

Reprodução | Agência Brasil

A Organização Mundial da Saúde estima que, até 2050, metade da população mundial apresentará algum grau de miopia — um distúrbio visual que dificulta enxergar de longe e já é considerado uma epidemia global.

O problema, antes associado a fatores genéticos, hoje é fortemente influenciado pelo estilo de vida moderno. O uso intenso de telas, a falta de atividades ao ar livre e a redução da exposição solar estão entre as principais causas do aumento de casos em todo o planeta.

Segundo o oftalmologista Flávio Mac Cord, da Sociedade Brasileira de Oftalmologia, a miopia é atualmente o erro de refração que mais cresce no mundo. “As mudanças no estilo de vida têm papel determinante. As crianças passam muito tempo dentro de casa, olhando para telas brilhantes, o que reduz a exposição à luz natural e estimula o crescimento anormal do globo ocular”, explica.

Embora a herança genética influencie o desenvolvimento da miopia, especialistas reforçam que o ambiente tem peso cada vez maior. O oftalmologista Claudio Lottenberg, presidente do Conselho do Hospital Israelita Albert Einstein, destaca que a transformação do comportamento humano nas últimas décadas — com mais tempo em ambientes fechados e menos brincadeiras ao ar livre — impulsionou o avanço do problema.

As crianças e adolescentes são os grupos mais afetados, especialmente nas áreas urbanas, onde o contato com a luz natural é limitado. Como os olhos ainda estão em desenvolvimento, a falta de estímulos visuais e a distância constante das telas contribuem para o aumento dos casos precoces.

Além da perda da nitidez visual, a miopia pode evoluir para complicações mais sérias, como descolamento de retina, catarata precoce e glaucoma. Por isso, a prevenção é fundamental.

A recomendação dos especialistas é simples: reduzir o tempo de tela, incentivar atividades ao ar livre e garantir pausas regulares durante o uso de dispositivos eletrônicos. “A luz natural ajuda na regulação do crescimento ocular. Passar pelo menos duas horas por dia fora de casa já faz diferença”, afirma Lottenberg.

Com a tendência crescente, o alerta é global: se nada mudar, o mundo pode enfrentar um futuro em que enxergar bem será um privilégio — e não mais o padrão.

*Da Agência Fonte Exclusiva.

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