Estudo revela que transtornos mentais compartilham bases genéticas e ajudam a explicar diagnósticos múltiplos

Pesquisa internacional identifica variantes genéticas comuns entre depressão, ansiedade, bipolaridade e esquizofrenia.

Pesquisa publicada na Nature aponta que transtornos mentais compartilham fatores genéticos. Estudo analisou dados de mais de 6 milhões de pessoas e pode mudar abordagens no tratamento da saúde mental.

Imagem: Canva

Receber mais de um diagnóstico psiquiátrico ao longo da vida é uma realidade comum para muitas pessoas. Transtornos como depressão, ansiedade, transtorno bipolar e esquizofrenia frequentemente aparecem de forma combinada, tornando o diagnóstico e o tratamento mais complexos.

Um novo estudo internacional sugere que essa sobreposição pode ter uma explicação central: a genética compartilhada entre diferentes transtornos mentais.

A pesquisa foi publicada em 10 de dezembro na revista científica Nature e é considerada a mais ampla já realizada sobre as bases genéticas comuns das doenças psiquiátricas.

O trabalho foi conduzido pelo Grupo de Trabalho Interdisciplinar do Consórcio de Genômica Psiquiátrica, com liderança de pesquisadores das universidades de Harvard e Virginia Commonwealth, nos Estados Unidos.

Os cientistas analisaram dados genéticos de mais de 6 milhões de pessoas. Desse total, aproximadamente 1 milhão tinha diagnóstico confirmado de algum transtorno psiquiátrico, enquanto cerca de 5 milhões, sem histórico dessas condições, foram utilizados como grupo de comparação. A análise permitiu identificar padrões genéticos recorrentes entre diferentes transtornos.

Embora fatores ambientais, experiências de vida e traumas continuem sendo reconhecidos como importantes no desenvolvimento de doenças mentais, o estudo reforça que a influência genética desempenha um papel mais amplo do que se imaginava.

Segundo os pesquisadores, essa dimensão biológica ainda era pouco explorada de forma integrada.

A investigação avaliou 14 transtornos psiquiátricos e identificou 428 variantes genéticas associadas a mais de uma condição. Também foram mapeadas 101 regiões cromossômicas consideradas pontos críticos, onde essas variantes se concentram com maior frequência, indicando áreas do DNA que exercem papel central no risco de múltiplos transtornos.

Os dados apontaram sobreposições expressivas. Depressão maior, ansiedade e transtorno de estresse pós-traumático compartilham cerca de 90% dos marcadores genéticos analisados.

Já esquizofrenia e transtorno bipolar apresentaram aproximadamente 66% de risco genético em comum, o que ajuda a explicar a semelhança de sintomas e a coexistência dos quadros em alguns pacientes.

Além das similaridades genéticas, os pesquisadores observaram que os transtornos com risco compartilhado também apresentam padrões biológicos semelhantes, como o momento em que certos genes são ativados durante o desenvolvimento humano e os tipos específicos de células cerebrais mais afetadas.

Para os autores, os resultados representam um avanço significativo no entendimento das doenças mentais. O estudo cria uma base sólida para novas pesquisas e pode contribuir para o desenvolvimento de abordagens terapêuticas mais integradas, considerando grupos de transtornos com origens biológicas semelhantes. A expectativa é que essas descobertas ajudem, no futuro, a tornar os tratamentos em saúde mental mais eficazes e personalizados.

*Da Agência Fonte Exclusiva

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