Especialistas alertam: efeitos estéticos chamam atenção, mas riscos mais graves também existem

Medicamentos como Ozempic podem desencadear queda capilar em pessoas sensíveis; saiba por quê

Entenda como nutrição, estresse e perda rápida de peso influenciam a queda de cabelo em usuários de GLP-1.

Reprodução | Agência Brasil

Medicamentos da classe GLP-1, como Ozempic, vêm ganhando popularidade no tratamento da diabetes tipo 2 e da obesidade, mas alguns usuários relatam um efeito colateral inesperado: queda de cabelo. Embora não seja tão comum quanto náuseas ou alterações gastrointestinais, o tema tem sido cada vez mais discutido entre pacientes e médicos.

Carol Saffran, de 71 anos, começou a usar Ozempic para controlar o açúcar no sangue e evitar a progressão para diabetes. Após avançar para uma dose mais alta e perder peso de forma significativa, notou que seus fios estavam ficando mais finos. O diagnóstico dado pela dermatologista Farah Moustafa, do Tufts Medical Center, foi eflúvio telógeno — uma queda temporária ligada ao estresse que o corpo sofre diante de mudanças bruscas, como perda acelerada de peso.

O fenômeno tem se tornado mais frequente à medida que medicamentos GLP-1 se popularizam. Uma pesquisa recente da KFF mostra que 1 em cada 8 adultos nos Estados Unidos usa algum remédio da classe, seja para controle metabólico, seja para emagrecimento.

O que é eflúvio telógeno

O cabelo passa por quatro fases: crescimento, transição, repouso e queda. No eflúvio telógeno, um número maior de fios entra simultaneamente na fase de repouso, resultando em queda mais intensa após alguns meses de um evento estressor. Dermatologistas afirmam que situações como parto, cirurgias, dietas restritivas e mudanças metabólicas rápidas podem desencadear o quadro.

Segundo o dermatologista Aron Nusbaum, a perda rápida de peso é o principal fator para a queda relacionada aos GLP-1. Quando o corpo prioriza funções essenciais, os folículos capilares — considerados “menos importantes” — entram em repouso prematuramente.

O papel da nutrição

Especialistas também apontam que a falta de nutrientes pode agravar o problema. Como os GLP-1 reduzem o apetite, alguns pacientes passam a ingerir menos calorias, proteínas e vitaminas essenciais para o crescimento capilar, como zinco, vitamina D e vitaminas do complexo B.

Além disso, o médico Brian Wojeck compara o quadro ao que ocorre após cirurgias bariátricas, nas quais a queda de cabelo é comum devido a alterações intensas na nutrição e no metabolismo.

Possível relação com alopecia androgenética
Há casos em que a queda não é apenas difusa, mas segue o padrão típico da alopecia androgenética — mais comum em pessoas geneticamente predispostas. Alguns especialistas acreditam que os GLP-1 podem antecipar ou acentuar esse padrão em indivíduos sensíveis, embora as evidências científicas ainda sejam limitadas.

Ensaios clínicos da Novo Nordisk indicam que a perda de cabelo ocorreu em 2,5% dos adultos que usaram Wegovy, tendência mais forte entre pacientes que perderam mais de 20% do peso corporal.

Tratamentos disponíveis

Quando a queda é causada por eflúvio telógeno, o quadro costuma ser temporário e reversível após a estabilização do peso ou da saúde geral. O minoxidil oral ou tópico pode ajudar na recuperação, mas o tratamento depende do diagnóstico correto.

Dermatologistas recomendam exames laboratoriais para avaliar níveis de vitaminas, proteínas e hormônios, além de manter ingestão de cerca de 1 grama de proteína por quilo de peso por dia.

Em casos em que o paciente deseja manter o uso de GLP-1, o acompanhamento médico e nutricional é fundamental para evitar agravamento da queda.

Para especialistas como Farah Moustafa, o mais importante é que quem usa esses medicamentos observe a intensidade da queda e o ritmo de emagrecimento, discutindo qualquer alteração com o médico responsável.

*Da Agência Fonte Exclusiva.

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