Diabetes pode causar perda da visão sem apresentar sintomas

Conselho Brasileiro de Oftalmologia alerta que lesões na retina podem evoluir silenciosamente; campanha de novembro reforça a importância dos exames preventivos.

Diabetes pode provocar lesões silenciosas na retina e causar perda da visão. CBO alerta para retinopatia diabética e importância dos exames preventivos.

Imagem: Reprodução/ Agência Brasil

Uma pessoa pode enxergar normalmente e, ainda assim, apresentar alterações nos olhos provocadas pelo diabetes. O problema é que essas lesões podem avançar durante anos sem causar sintomas e, quando descobertas tarde demais, comprometer permanentemente a visão.

O alerta é do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), que chama a atenção para a retinopatia diabética, uma complicação que atinge os vasos sanguíneos da retina e está entre as principais causas de perda visual evitável em adultos.

No Brasil, estudos apresentados pela entidade indicam que entre 24% e 39% das pessoas com diabetes podem desenvolver a doença.

Para ampliar a conscientização, o CBO prepara a campanha 24 Dias pelo Diabetes, com início previsto para domingo, 1º de novembro.

A iniciativa busca incentivar o acompanhamento oftalmológico regular, mesmo entre pacientes que não apresentam dificuldades para enxergar.

Como o diabetes afeta os olhos?

Quando a glicose permanece elevada no sangue por muito tempo, pequenos vasos sanguíneos do organismo podem sofrer danos.

Nos olhos, essas alterações atingem principalmente a retina, estrutura responsável por captar a luz e permitir a formação das imagens.

Com a evolução da doença, os vasos podem apresentar vazamentos, obstruções e sangramentos.

Em situações mais graves, surgem vasos anormais e frágeis, capazes de provocar complicações que ameaçam a visão.

Outra consequência possível é o edema macular diabético, caracterizado pelo acúmulo de líquido na região central da retina.

Sem diagnóstico e acompanhamento adequados, essas alterações podem causar perda visual importante.

Doença pode avançar sem dar sinais

Um dos maiores perigos da retinopatia diabética é a ausência de sintomas nos estágios iniciais.

O paciente pode continuar lendo, dirigindo e trabalhando normalmente, sem perceber que já existem lesões na retina.

Por isso, os especialistas reforçam que enxergar bem não significa, necessariamente, estar com a saúde ocular em dia.

Quando a doença progride, podem surgir sinais como visão embaçada, manchas escuras, dificuldade para identificar detalhes e perda de parte do campo visual.

Essas alterações exigem avaliação oftalmológica, mas o ideal é identificar o problema antes que apareçam.

A presidente do CBO, Maria Auxiliadora Frazão, destaca que a perda visual também pode comprometer a autonomia, a capacidade de trabalhar e a qualidade de vida dos pacientes.

Risco aumenta com o passar dos anos

O tempo de convivência com o diabetes é um dos principais fatores associados ao desenvolvimento da retinopatia.

Segundo dados apresentados pelo CBO, após cerca de 20 anos com a doença, até 90% das pessoas com diabetes tipo 1 e 60% daquelas com diabetes tipo 2 podem apresentar algum grau de alteração na retina.

Isso não significa que todos esses pacientes perderão a visão.

Os números mostram, porém, a importância de manter o acompanhamento médico ao longo da vida.

O controle inadequado da glicemia, a pressão arterial elevada e alterações no colesterol também podem aumentar o risco de complicações.

O diagnóstico precoce e o tratamento no momento adequado ajudam a reduzir significativamente a possibilidade de perda visual grave.

Exame de fundo de olho ajuda a prevenir complicações

A avaliação oftalmológica é fundamental para identificar alterações provocadas pelo diabetes.

Um dos exames utilizados é o de fundo de olho, também chamado de fundoscopia.

Durante o procedimento, o especialista observa a retina e os vasos sanguíneos, procurando sinais de lesões que ainda podem não ter provocado sintomas.

Em determinadas situações, são utilizados colírios para dilatar as pupilas e facilitar a visualização das estruturas internas dos olhos.

O oftalmologista também poderá solicitar outros exames, conforme as necessidades do paciente.

Quando quem tem diabetes deve examinar os olhos?

Situação Orientação geral
Diabetes tipo 2 Avaliação oftalmológica no momento do diagnóstico
Diabetes tipo 1 em adultos Primeiro rastreamento geralmente até cinco anos após o diagnóstico
Crianças e adolescentes com diabetes tipo 1 Avaliação conforme idade, puberdade e tempo de doença
Pacientes sem retinopatia Acompanhamento periódico, frequentemente anual, conforme avaliação médica
Pacientes com retinopatia moderada ou grave Consultas mais frequentes, de acordo com a orientação do especialista

A frequência dos exames pode variar conforme o controle do diabetes, a presença de lesões e outros fatores de risco.

Gestantes com diabetes precisam de atenção especial

Mulheres que já têm diabetes antes da gravidez devem conversar com o médico sobre a necessidade de avaliação oftalmológica.

As mudanças que ocorrem durante a gestação podem favorecer a progressão de alterações na retina.

Por isso, o acompanhamento pode precisar ser intensificado durante a gravidez e após o parto.

A orientação é diferente para mulheres que apresentam apenas diabetes gestacional, sem diagnóstico anterior da doença.

Nesses casos, o rastreamento específico da retinopatia diabética geralmente não é indicado apenas por causa do diabetes gestacional, salvo quando houver outra necessidade clínica.

Cuidados diários ajudam a proteger a visão

Além dos exames oftalmológicos, controlar o diabetes é uma das principais medidas para reduzir o risco de complicações.

Entre os cuidados recomendados estão:

Essas medidas também contribuem para prevenir outras complicações relacionadas ao diabetes, incluindo problemas renais e cardiovasculares.

Retinopatia diabética tem tratamento?

A retinopatia diabética pode ser tratada, e as chances de preservar a visão são maiores quando as alterações são identificadas precocemente.

Nos estágios iniciais, o oftalmologista poderá recomendar acompanhamento e controle rigoroso dos fatores de risco.

Quando a doença apresenta complicações, existem tratamentos como aplicações de medicamentos dentro dos olhos, procedimentos a laser e cirurgias.

Entre os medicamentos utilizados em situações específicas estão os anti-VEGF, que ajudam a controlar alterações nos vasos sanguíneos e o acúmulo de líquido na retina.

Nos casos mais avançados, pode ser necessária uma cirurgia chamada vitrectomia.

A escolha depende da gravidade do quadro e deve ser feita por um especialista.

Como buscar atendimento pelo SUS?

Pessoas com diabetes podem procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) para solicitar avaliação e orientação sobre o acompanhamento oftalmológico.

Conforme a organização da rede municipal, o paciente poderá ser encaminhado para consulta com especialista e realização de exames.

Quem utiliza plano de saúde também pode procurar um oftalmologista credenciado para verificar a necessidade de rastreamento e acompanhamento.

O mais importante é não esperar a visão piorar para buscar atendimento.

Campanha começa em novembro

A campanha 24 Dias pelo Diabetes, organizada pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia, terá início em 1º de novembro.

A mobilização pretende ampliar o conhecimento sobre a retinopatia diabética e incentivar a realização de exames preventivos.

A orientação central é que todas as pessoas com diabetes mantenham atenção à saúde dos olhos, mesmo quando não percebem nenhuma alteração visual.

Identificar as lesões no início pode evitar complicações graves e ajudar a preservar a visão por muitos anos.

*Da Agência Fonte Exclusiva

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