Cientistas revelam região cerebral que perde função com o Alzheimer

Descobertas podem auxiliar no desenvolvimento de tratamentos contra a demência

Estudo de Stanford mostra que o córtex entorrinal medial se degrada com a idade e pode ser chave no avanço do Alzheimer.

Estudo de Stanford mostra que o córtex entorrinal medial se degrada com a idade e pode ser chave no avanço do Alzheimer. Imagem: Agência Brasil

Pesquisadores da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, identificaram que o córtex entorrinal medial, região fundamental para a criação de mapas mentais do espaço, sofre alterações significativas com o envelhecimento, o que pode explicar a desorientação e a perda de memória espacial comuns nas fases iniciais do Alzheimer. O trabalho foi publicado na revista Nature Communications nesta sexta-feira (3).

Como foi o estudo

O grupo analisou 18 camundongos em três diferentes faixas etárias, equivalentes a humanos de 20, 50 e entre 75 e 90 anos. Durante seis dias, os animais percorreram trajetos em realidade virtual, recebendo recompensas em água ao completar percursos. As atividades permitiram monitorar as chamadas células de grade, localizadas no córtex entorrinal medial, que são responsáveis por organizar a percepção de espaço e criar memórias de ambientes.

Nos camundongos jovens, essas células dispararam em padrões estáveis, refletindo memórias consistentes. Já nos mais velhos, a atividade tornou-se caótica, sugerindo dificuldade em diferenciar locais e encontrar recompensas.

Imagem: Agência Brasil

Perda da capacidade de orientação

Mesmo após conhecerem o ambiente, os animais mais velhos se confundiam com as trilhas e erravam a localização das recompensas. Esse comportamento é semelhante ao observado em pessoas nas fases iniciais da demência, que podem se perder em locais familiares ou ter dificuldade para lembrar rotas.

“Pouco se sabia sobre como essa região cerebral mudava durante o envelhecimento. Agora vemos que ela contém todos os elementos necessários para criar mapas mentais, mas perde eficiência com o tempo”, afirmou Lisa Giocomo, professora de neurobiologia em Stanford e uma das autoras do estudo.

Além disso, os cientistas observaram mudanças em genes ligados à comunicação entre neurônios e à adaptação das conexões cerebrais, o que pode estar por trás da degradação do sistema de orientação espacial.

Implicações para o Alzheimer

Os resultados indicam que o córtex entorrinal medial é uma das primeiras áreas do cérebro a ser afetada pela idade, tornando-se também um dos alvos iniciais do Alzheimer. Isso reforça a importância do diagnóstico precoce, já que intervenções antecipadas podem ajudar a preservar a memória espacial e a autonomia dos pacientes.

Os pesquisadores ressaltam que compreender esses processos é essencial para criar novas terapias que possam retardar o avanço da doença e reduzir o impacto da desorientação espacial no dia a dia de pessoas mais velhas.

*Da Agência Fonte Exclusiva.

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