Canetas emagrecedoras exigem acompanhamento médico e podem causar riscos à saúde

Uso sem prescrição, compra de produtos de origem desconhecida e combinação com outros medicamentos podem aumentar o risco de efeitos adversos.

Uso de canetas emagrecedoras sem acompanhamento médico pode causar efeitos adversos e interações medicamentosas. Veja os principais cuidados.

Imagem: Ilustração/ Agência Fonte Exclusiva

As chamadas canetas emagrecedoras ganharam espaço entre pessoas que buscam perder peso, mas o uso desses medicamentos sem orientação profissional pode trazer riscos.

A preocupação aumenta quando o produto é utilizado por indicação de amigos, comprado de terceiros ou aplicado sem que o paciente saiba exatamente qual substância está recebendo.

Um caso registrado no Ceará chamou atenção para esse problema. Uma mulher recebeu de uma amiga uma dose de uma caneta para emagrecimento com a intenção de perder cerca de três quilos.

Sem passar por avaliação médica e sem informações precisas sobre a origem do medicamento, ela fez a aplicação e posteriormente descobriu estar grávida de trigêmeos.

O episódio reforça que medicamentos utilizados para perda de peso não devem ser tratados como produtos de uso estético ou aplicados por conta própria. Antes de iniciar qualquer tratamento, é necessário avaliar as condições de saúde, os medicamentos já utilizados e os possíveis riscos associados à substância escolhida.

O que são as canetas emagrecedoras?

O termo “canetas emagrecedoras” é usado para se referir a medicamentos aplicados por meio de dispositivos semelhantes a canetas. Alguns deles pertencem à classe dos agonistas do receptor GLP-1, como semaglutida, liraglutida, dulaglutida e tirzepatida.

Essas substâncias podem ter diferentes indicações, dependendo do princípio ativo e do medicamento. Elas podem ser utilizadas, por exemplo, no tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade ou do sobrepeso associado a determinadas condições.

Apesar da popularidade nas redes sociais, esses medicamentos não foram desenvolvidos simplesmente para fins estéticos. A escolha do tratamento depende da avaliação individual de cada paciente.

Receita precisa ficar retida na farmácia

No Brasil, desde junho de 2025, a venda de medicamentos agonistas de GLP-1 passou a exigir a retenção da receita médica pelas farmácias e drogarias.

A medida adotada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ocorreu diante do aumento das notificações de eventos adversos e da preocupação com o uso desses medicamentos fora das indicações autorizadas.

A exigência também reforça a importância de que o tratamento seja acompanhado por um profissional habilitado, principalmente porque a dose e a forma de utilização variam de acordo com o medicamento e as características do paciente.

Náuseas e vômitos estão entre os efeitos mais comuns

Os efeitos adversos podem variar conforme o medicamento, a dose e as condições de saúde da pessoa.

Entre as reações mais frequentes estão:

Em determinadas situações, também podem ocorrer complicações mais graves, como pancreatite aguda e problemas relacionados à vesícula biliar.

Por isso, sintomas intensos ou persistentes não devem ser ignorados. A pessoa deve procurar avaliação médica para verificar se os sintomas estão relacionados ao medicamento ou se existe outra causa.

Perder peso rapidamente também exige atenção

Outro ponto importante é a forma como ocorre a perda de peso. Uma redução muito rápida pode contribuir para a perda de massa muscular, especialmente quando o tratamento não é acompanhado por uma alimentação adequada e pela prática de exercícios físicos.

A quantidade de peso que deve ser perdida e a velocidade desse processo precisam ser avaliadas individualmente. Não existe uma dose ou um ritmo de emagrecimento adequado para todas as pessoas.

O tratamento deve levar em consideração fatores como alimentação, atividade física, histórico de saúde e outros medicamentos utilizados.

Medicamentos podem interagir entre si

Quem utiliza outros remédios também precisa informar isso ao profissional responsável pelo tratamento.

Alguns medicamentos dessa classe retardam o esvaziamento do estômago, o que pode interferir na absorção de determinados medicamentos administrados por via oral.

As mulheres que utilizam anticoncepcionais orais também devem conversar com o médico antes de iniciar o tratamento. Para alguns medicamentos da classe, existem recomendações específicas durante o período de aumento da dose, justamente por causa da possibilidade de alteração da absorção do anticoncepcional.

Por isso, não é seguro começar uma caneta emagrecedora sem informar ao profissional todos os medicamentos, suplementos e outros produtos utilizados.

Comprar pela internet pode trazer riscos

A procedência do medicamento também é uma questão importante. A compra de canetas emagrecedoras pela internet, de terceiros ou por canais que não sejam autorizados pode resultar no recebimento de produtos sem registro sanitário ou de origem desconhecida.

Além de não haver garantia sobre a composição e a concentração do produto, também podem existir problemas relacionados ao armazenamento e à conservação do medicamento.

No caso de uma reação adversa, a origem desconhecida ainda dificulta a identificação do que foi realmente aplicado.

Não use por indicação de amigos ou influenciadores

Relatos de pessoas que emagreceram utilizando determinada caneta podem criar a impressão de que o medicamento é seguro para qualquer pessoa. Mas a resposta ao tratamento varia de um indivíduo para outro.

A indicação precisa considerar o estado de saúde, os objetivos do tratamento, as contraindicações, os medicamentos utilizados e a dose adequada.

Por isso, uma recomendação feita por amigo, familiar ou influenciador não substitui uma consulta médica.

Quando procurar atendimento

Pessoas que utilizam esses medicamentos devem ficar atentas a reações diferentes do habitual. Dor abdominal forte e persistente, vômitos intensos ou alterações importantes no estado geral precisam ser avaliados por um profissional de saúde.

As canetas emagrecedoras podem ser ferramentas importantes no tratamento de algumas doenças, mas não são medicamentos livres de riscos. A escolha do princípio ativo, a dose, a frequência das aplicações e a duração do tratamento devem ser definidos individualmente.

O uso responsável é a principal forma de reduzir riscos e aumentar a segurança do tratamento.

*Da Agência Fonte Exclusiva

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