Brasil reforça vacinação contra sarampo na fronteira com Peru e Colômbia

Mobilização ocorre neste sábado (7) em quatro municípios do Amazonas. País registra 65 casos da doença em 2026, sendo 21 na região de fronteira.

Brasil reforça vacinação contra sarampo na fronteira com Peru e Colômbia neste sábado (7). Campanha ocorre em quatro municípios do Amazonas após 65 casos em 2026.

Imagem: Reprodução/ Agência Brasil

O Ministério da Saúde realiza neste sábado (7) uma campanha especial de vacinação contra o sarampo em municípios do Amazonas que fazem parte da região de fronteira entre Brasil, Peru e Colômbia. A iniciativa busca ampliar a proteção da população diante do aumento de casos da doença em países vizinhos e evitar que o vírus volte a circular de forma contínua no território brasileiro.

A mobilização acontece em Tabatinga, Benjamin Constant, São Paulo de Olivença e Atalaia do Norte. As equipes de saúde atuarão em diferentes pontos das cidades, incluindo unidades de atendimento, portos, escolas, feiras e comunidades indígenas.

A preocupação das autoridades é maior devido à circulação frequente de moradores, trabalhadores e comerciantes entre os três países. Na região amazônica, onde os rios funcionam como importantes vias de transporte, o deslocamento entre localidades fronteiriças faz parte da rotina da população.

Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil contabiliza 65 casos confirmados de sarampo em 2026, dos quais 21 foram registrados nos quatro municípios envolvidos na campanha.

Vacinação chegará a comunidades de difícil acesso

Para alcançar moradores que vivem longe dos centros urbanos, a campanha contará com equipes municipais, estaduais e federais.

Além dos postos de vacinação, os profissionais visitarão escolas, estabelecimentos comerciais, portos e residências.

A estratégia também contempla comunidades ribeirinhas e indígenas, que enfrentam dificuldades de deslocamento para acessar serviços de saúde.

Os Distritos Sanitários Especiais Indígenas Alto Rio Solimões e Vale do Javari participam da mobilização, assim como as Casas de Saúde Indígena (Casai).

A intenção é identificar pessoas com a vacinação atrasada e ampliar a cobertura em localidades onde o acesso aos imunizantes pode ser mais difícil.

Quem deve tomar a vacina contra o sarampo?

A mobilização especial contempla pessoas a partir dos seis meses de idade, conforme as orientações estabelecidas pelo Ministério da Saúde para a região.

Bebês de seis meses a 11 meses e 29 dias poderão receber a chamada dose zero da vacina tríplice viral.

Essa aplicação é recomendada em situações de maior risco de transmissão e oferece proteção adicional às crianças pequenas.

Entretanto, a dose zero não substitui as vacinas previstas no calendário nacional. Após completar 12 meses, a criança deverá seguir o esquema recomendado pelo Programa Nacional de Imunizações.

A vacina tríplice viral protege contra sarampo, caxumba e rubéola.

A aplicação deve respeitar as recomendações para cada faixa etária e as contraindicações individuais. Gestantes e pessoas com determinadas condições de imunossupressão, por exemplo, precisam de avaliação específica, pois a tríplice viral é uma vacina de vírus vivos atenuados.

Por isso, mesmo durante a campanha especial, os profissionais de saúde deverão avaliar a situação vacinal e as condições clínicas de cada pessoa.

Amazonas concentra casos na região de fronteira

Dos 65 casos de sarampo confirmados no Brasil em 2026, 21 foram identificados nos quatro municípios amazonenses incluídos na mobilização.

Tabatinga apresenta o maior número de registros, com nove casos. Benjamin Constant contabiliza seis confirmações, enquanto São Paulo de Olivença registra quatro e Atalaia do Norte, duas.

De acordo com o Ministério da Saúde, os casos identificados no país estão relacionados à importação do vírus ou à sua introdução em território brasileiro.

A ocorrência de infecções em municípios próximos às fronteiras exige atenção das equipes de vigilância epidemiológica, principalmente pela facilidade de deslocamento entre as localidades.

O objetivo é identificar rapidamente pessoas infectadas, acompanhar contatos e interromper possíveis cadeias de transmissão.

Peru registra mais de 2 mil casos

O aumento da circulação do sarampo em países vizinhos também levou o governo brasileiro a reforçar a cooperação internacional.

Segundo o Ministério da Saúde, o Peru ultrapassou 2 mil casos da doença em 2026.

Diante desse cenário, o Brasil disponibilizou 500 mil doses da vacina tríplice viral ao país vizinho, com envio previsto para os próximos dias.

A Colômbia, que também faz parte da região da tríplice fronteira, confirmou 17 casos neste ano, conforme os dados apresentados pela pasta.

A estratégia busca fortalecer a proteção da população em uma área onde as fronteiras são atravessadas diariamente.

Como o sarampo é altamente transmissível, a prevenção depende não apenas das ações de cada país, mas também da cooperação entre os serviços de saúde.

Cobertura vacinal está abaixo da meta

Outro motivo de preocupação é o número de pessoas que ainda não completaram o esquema de vacinação.

Em 2025, o Amazonas registrou cobertura de 89,7% para a primeira dose da vacina contra o sarampo e de 76% para a segunda.

No Brasil, os índices foram de 93,15% e 78,61%, respectivamente. Os percentuais estão abaixo da meta de 95% de cobertura, utilizada como referência para o controle da doença.

A diferença entre a primeira e a segunda dose mostra que parte da população inicia a vacinação, mas não completa o esquema recomendado.

Essa situação pode favorecer a formação de grupos de pessoas suscetíveis ao vírus, aumentando o risco de surtos.

A mobilização deste sábado pretende alcançar principalmente quem ainda não recebeu as doses necessárias.

Brasil tenta preservar controle da doença

O Brasil recuperou, em 2024, o reconhecimento internacional de país livre da circulação endêmica do sarampo.

A conquista ocorreu após anos de enfrentamento da doença. Em 2019, o país havia registrado mais de 20 mil casos.

O reconhecimento não significa que novos casos não possam ocorrer, especialmente quando o vírus é introduzido por pessoas que estiveram em regiões com transmissão.

Por isso, a manutenção da condição sanitária depende de vigilância permanente, identificação rápida de infecções e vacinação adequada da população.

As autoridades de saúde procuram evitar que casos importados deem origem a cadeias prolongadas de transmissão.

Quais são os sintomas do sarampo?

O sarampo é uma infecção viral transmitida pelo ar, principalmente quando uma pessoa infectada respira, tosse ou espirra.

A doença pode começar com febre, tosse, coriza e conjuntivite.

Depois, costumam surgir manchas avermelhadas na pele, inicialmente no rosto, que podem se espalhar para outras regiões do corpo.

Em situações mais graves, a infecção pode provocar pneumonia, encefalite e outras complicações, especialmente em crianças pequenas e pessoas mais vulneráveis.

Quem apresentar sintomas suspeitos deve procurar atendimento médico, informar sobre viagens recentes e evitar contato próximo com outras pessoas até receber orientação profissional.

A vacinação é a principal forma de prevenção. Com a campanha na tríplice fronteira, o Ministério da Saúde pretende ampliar a proteção dos moradores, reduzir a circulação do vírus e evitar que novos casos comprometam os avanços alcançados pelo Brasil no controle do sarampo.

*Da Agência Fonte Exclusiva

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