Ministério da Saúde amplia compra internacional e prevê entrega nas próximas três semanas. Rio de Janeiro está entre os estados que receberam reforço na vacinação.
O Brasil garantiu a compra de 25 mil doses da vacina contra a mpox após uma negociação internacional para ampliar o fornecimento do imunizante. O anúncio foi feito pelo Ministério da Saúde neste domingo (8), em meio ao aumento de casos da doença em estados como Rio de Janeiro, São Paulo e Ceará, além do Distrito Federal.
A aquisição foi negociada com um laboratório dinamarquês, por meio do Fundo Rotatório da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas). Inicialmente, o Brasil tinha conseguido assegurar 20 mil doses, mas novas negociações permitiram acrescentar outras 5 mil. A previsão é que os imunizantes sejam entregues nas próximas três semanas.
A compra acontece em um momento de dificuldade para conseguir a vacina no mercado internacional. Atualmente, apenas um fabricante localizado na Dinamarca e pré-qualificado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) produz o imunizante, com capacidade limitada de fornecimento.
As novas doses serão destinadas ao estoque estratégico nacional, utilizado para atender estados e municípios conforme a necessidade de vacinação e o comportamento da doença.
Rio de Janeiro recebe reforço de vacinas
O Rio de Janeiro está entre as unidades da Federação que receberam novas remessas. Na quarta-feira (4), o Ministério da Saúde enviou mais 2 mil doses ao estado, elevando para 3,5 mil o total destinado ao território fluminense em 2026.
A distribuição ficará sob responsabilidade da Secretaria de Estado de Saúde, enquanto a aplicação será realizada pelos municípios, de acordo com os critérios estabelecidos para os grupos prioritários.
A situação no Rio exige atenção das autoridades sanitárias. Segundo dados da Secretaria Estadual de Saúde divulgados em 7 de novembro, o estado contabilizava 298 casos confirmados entre janeiro e 6 de novembro, sendo 207 na capital. O número supera os 119 registros de todo o ano de 2025.
Apesar do crescimento em relação ao ano passado, não havia registro de mortes por mpox no estado até aquela atualização.
Brasil registra 832 casos e uma morte em 2026
O boletim nacional mais recente, com dados até 6 de novembro, aponta 832 casos confirmados de mpox e uma morte no Brasil neste ano.
O número representa uma redução de 92,1% em comparação com 2022, quando o país enfrentou um surto da doença e registrou aproximadamente 10,5 mil casos.
As internações também diminuíram. Em 2022, foram contabilizadas 254 hospitalizações, contra 54 em 2026, uma queda de 78,7%.
Na comparação com 2025, quando o Brasil registrou cerca de mil casos, duas mortes e 58 internações, os dados deste ano também mostram redução no cenário nacional.
Isso não significa que a doença tenha deixado de representar risco. O aumento localizado de casos, principalmente em grandes centros urbanos, mantém a necessidade de acompanhamento e de vacinação das pessoas mais vulneráveis.
Nova forma de aplicação pode ampliar número de vacinados
Além de negociar a compra de mais doses, o Ministério da Saúde passou a orientar estados e municípios sobre uma alternativa para aproveitar melhor os estoques disponíveis.
A estratégia prevê a aplicação intradérmica da vacina, técnica em que o imunizante é administrado em uma camada superficial da pele.
O procedimento já foi utilizado em países europeus e permite ampliar em até cinco vezes o número de pessoas vacinadas com a mesma quantidade de imunizante, desde que sejam respeitados os critérios técnicos.
Na prática, uma dose convencional pode ser fracionada em aplicações menores, sem que cada pessoa precise receber uma quantidade maior de vacina.
A medida será utilizada em grupos específicos e exige profissionais capacitados para realizar a aplicação.
Outro desafio é o armazenamento. A vacina precisa permanecer congelada a aproximadamente 20 graus negativos. Depois de descongelada, deve ser utilizada dentro de quatro semanas, seguindo as condições recomendadas pelo fabricante e pelas autoridades sanitárias.
Por esse motivo, os estados solicitam novas remessas conforme seus estoques são utilizados, evitando desperdício.
O que é a mpox e quais são os sintomas?
A mpox é uma doença infecciosa causada por um vírus do gênero Orthopoxvirus. A infecção pode provocar lesões na pele, febre, dores musculares e outros sintomas que variam de intensidade.
As primeiras manifestações podem ser confundidas com as de outras doenças. Em alguns pacientes, surgem febre, dor de cabeça, cansaço e aumento dos gânglios linfáticos, conhecidos popularmente como ínguas.
As lesões na pele são uma das características mais conhecidas da mpox. Elas podem começar como manchas, evoluir para pequenas bolhas e, posteriormente, formar crostas.
As alterações podem aparecer no rosto, mãos, pés, boca, região genital e outras partes do corpo.
Os sintomas costumam durar de duas a quatro semanas. A maioria dos pacientes apresenta evolução leve ou moderada, mas pessoas com imunidade comprometida podem desenvolver complicações.
Como acontece a transmissão?
A transmissão ocorre principalmente pelo contato próximo com uma pessoa infectada, especialmente quando há contato direto com lesões na pele ou secreções corporais.
O vírus também pode ser transmitido por objetos contaminados, como toalhas, roupas, lençóis e outros materiais compartilhados.
O contato próximo e prolongado com secreções respiratórias de uma pessoa infectada também pode representar risco.
Qualquer pessoa pode contrair mpox. A transmissão depende da exposição ao vírus e não está restrita a uma faixa etária ou grupo específico.
Para reduzir o risco de contaminação, as autoridades de saúde recomendam evitar contato direto com lesões suspeitas, não compartilhar objetos pessoais e manter a higiene frequente das mãos e dos ambientes.
Quem apresentar sintomas deve procurar atendimento médico para avaliação e seguir as orientações de isolamento até que as lesões estejam completamente cicatrizadas.
Quem pode tomar a vacina contra mpox pelo SUS?
A vacinação contra a mpox não é destinada, neste momento, a toda a população.
Seguindo as recomendações da Organização Mundial da Saúde, o Ministério da Saúde mantém a imunização direcionada a pessoas com maior risco de exposição ou de desenvolver complicações graves.
A prioridade nacional é para pessoas vivendo com HIV/aids, a partir dos 18 anos, que apresentem contagem de linfócitos CD4 inferior a 100 células por milímetro cúbico de sangue.
Conforme a disponibilidade de doses e os critérios técnicos, outros públicos podem ser contemplados, como pessoas com HIV e contagem de CD4 inferior a 200, usuários de profilaxia pré-exposição ao HIV (PrEP) e profissionais de laboratório que manipulam amostras do vírus.
Pessoas que tiveram contato de médio ou alto risco com casos suspeitos ou confirmados também podem receber a vacina, após avaliação da vigilância em saúde.
O esquema prevê duas doses, com intervalo de 28 dias.
A vacinação é realizada em centros de referência indicados pelas autoridades de saúde. Por isso, quem faz parte dos grupos prioritários deve procurar o serviço especializado onde já recebe acompanhamento para obter informações sobre cadastro e agendamento.
Vacinação após contato com pessoa infectada
A vacina também pode ser indicada para pessoas que tiveram contato próximo com alguém diagnosticado com mpox.
Nessas situações, a recomendação é que a aplicação aconteça, preferencialmente, nos primeiros quatro dias após a exposição ao vírus.
A vacinação ainda pode ser realizada em até 14 dias, embora a capacidade de evitar a infecção seja menor nesse período. Mesmo assim, a imunização pode contribuir para reduzir o risco de evolução para formas graves.
A decisão depende da avaliação dos profissionais de saúde, considerando o tipo de contato e as condições clínicas da pessoa exposta.
Ministério da Saúde mantém monitoramento dos casos
Mesmo com a redução nacional em relação aos anos de maior circulação do vírus, o Ministério da Saúde mantém a vigilância epidemiológica em parceria com estados e municípios.
O trabalho envolve a identificação de casos suspeitos, exames laboratoriais, acompanhamento de pacientes, orientação de pessoas expostas e distribuição de vacinas.
No Rio de Janeiro, a Secretaria Estadual de Saúde também prepara orientações técnicas e ações de capacitação para profissionais das redes municipais, com o objetivo de melhorar o diagnóstico e o atendimento.
A recomendação para a população é procurar uma unidade de saúde ao perceber lesões suspeitas ou sintomas compatíveis com a doença. O atendimento precoce ajuda a evitar complicações e reduz o risco de transmissão.
