Anvisa suspende estudos da Novartis após mortes em terapia celular experimental

Três ensaios com o rapcabtagene autoleucel foram interrompidos no Brasil por razões de segurança após três participantes morrerem durante estudos internacionais.

Anvisa suspende três ensaios da Novartis com terapia celular experimental após três mortes em estudos internacionais com o rapcabtagene autoleucel.

Imagem: Reprodução/Valter Campanato/Agência Brasil

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a suspensão de três ensaios clínicos da farmacêutica Novartis que avaliam uma terapia celular experimental para doenças autoimunes. A decisão envolve o rapcabtagene autoleucel, também conhecido como rap-cel ou YTB323, e foi tomada por razões de segurança.

Os estudos estão na fase 2 e investigam a segurança e a eficácia do tratamento em pacientes com doenças autoimunes graves. A decisão da agência foi publicada no Diário Oficial da União e interrompe a realização dos três experimentos no Brasil.

A suspensão ocorreu depois que três participantes morreram durante estudos internacionais envolvendo a terapia. Antes mesmo da determinação brasileira, a própria Novartis já havia interrompido o recrutamento de novos pacientes e a administração do tratamento em parte dos estudos.

Terapia usa células modificadas do próprio paciente

O rap-cel é uma terapia celular baseada na tecnologia CAR-T. Nesse tipo de tratamento, células do sistema imunológico do próprio paciente são coletadas e modificadas em laboratório para reconhecer determinados alvos antes de serem reinfundidas no organismo.

A estratégia vem sendo estudada como uma possível alternativa para doenças autoimunes nas quais o sistema imunológico passa a atacar tecidos do próprio corpo.

Entre as condições avaliadas nos estudos está a esclerose sistêmica cutânea difusa refratária grave. Outros estudos internacionais com a terapia também envolvem doenças autoimunes e neurológicas.

Por ainda estar em fase de pesquisa clínica, o tratamento não deve ser considerado uma terapia aprovada para uso rotineiro nessas doenças.

Três mortes levaram à interrupção dos estudos

A decisão da Novartis veio depois do registro de três mortes entre participantes dos estudos. Segundo informações divulgadas pela empresa, os casos envolveram reações imunológicas graves que passaram a ser analisadas pelas estruturas independentes responsáveis pelo acompanhamento da segurança dos ensaios.

A farmacêutica informou que interrompeu oito estudos de terapia com rap-cel relacionados a doenças autoimunes e neurológicas. Os estudos de câncer que utilizam a mesma plataforma não foram incluídos na pausa mencionada pela Reuters.

A existência das mortes, entretanto, não significa automaticamente que a terapia tenha sido determinada como causa direta de todos os óbitos. A relação entre o tratamento e os eventos adversos é justamente um dos pontos avaliados durante as análises de segurança.

Anvisa interrompe três ensaios no Brasil

No Brasil, a Anvisa determinou a suspensão de três pesquisas clínicas relacionadas ao produto. A agência possui regras específicas para ensaios com produtos de terapias avançadas e exige a comunicação de eventos adversos graves ocorridos durante as pesquisas.

De acordo com a regulamentação citada pela própria Anvisa, eventos adversos graves que levem à morte ou representem ameaça à vida devem ser comunicados à agência em prazo máximo de sete dias após o conhecimento do caso pelo patrocinador ou pesquisador responsável.

A Anvisa também mantém um painel público com informações sobre pesquisas clínicas envolvendo produtos de terapias avançadas, incluindo estudos autorizados, suspensos e cancelados.

Novartis já havia suspendido os estudos

A decisão brasileira ocorreu depois que a Novartis anunciou a interrupção de estudos internacionais com o rap-cel. A empresa afirmou que a medida foi adotada após os três casos fatais e que os eventos estavam sendo avaliados por comitês independentes de segurança.

A suspensão permite que os pesquisadores analisem os dados disponíveis e avaliem os riscos antes de uma eventual retomada dos testes.

O que acontece agora

Com a suspensão dos três ensaios no país, novas administrações da terapia ficam interrompidas dentro das pesquisas afetadas até que sejam cumpridas as exigências de segurança estabelecidas pela autoridade sanitária.

A análise deverá considerar os eventos adversos registrados, as circunstâncias das mortes e os demais dados acumulados durante o desenvolvimento clínico.

Como se trata de uma terapia ainda experimental, os resultados dessa avaliação serão importantes para determinar se os estudos poderão ser retomados e em quais condições.

*Da Agência Fonte Exclusiva. 

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