Redes sociais sob investigação: TSE cobra explicações de Meta e X antes da eleição

Justiça Eleitoral investiga suspeitas de tratamento desigual entre Lula e Flávio Bolsonaro e exige informações sobre algoritmos, inteligência artificial e alcance de propaganda eleitoral.

Tribunal Superior Eleitoral cobra informações de Meta e X sobre distribuição de conteúdos políticos e uso de inteligência artificial nas eleições presidenciais.

Imagem: Reprodução/Marcelo Camargo/Agência Brasil

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) deu prazo de 24 horas para que a Meta, responsável pelo Facebook, Instagram e WhatsApp, e a rede social X expliquem como distribuem conteúdos políticos durante a campanha presidencial. A determinação foi divulgada nesta sexta-feira (23), a dois dias do segundo turno das eleições de 2026, e prevê multa diária de R$ 500 mil para cada empresa em caso de descumprimento injustificado.

A decisão é do corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, e atende a uma ação apresentada pela coligação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A campanha acusa as plataformas de possível favorecimento ao candidato Flávio Bolsonaro (PL), com maior exposição de publicações ligadas ao adversário e restrições a conteúdos favoráveis à reeleição do petista.

O ministro ressaltou, porém, que os elementos apresentados até agora não comprovam as irregularidades denunciadas. O objetivo da investigação é esclarecer se houve tratamento desigual ou se as diferenças de alcance resultaram do funcionamento regular das plataformas.

Algoritmos e inteligência artificial entram na investigação

O TSE quer saber quais critérios as empresas utilizam para recomendar publicações, distribuir anúncios pagos e restringir conteúdos relacionados às eleições.

Entre as informações solicitadas à Meta estão dados sobre possíveis alterações nos sistemas de recomendação, tratamento privilegiado de perfis políticos e diferenças no alcance de publicações associadas às candidaturas.

A investigação também envolve perfis ligados a Flávio Bolsonaro e ao deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). A empresa deverá esclarecer se houve intervenções manuais, mudanças de posicionamento nas recomendações ou aplicação de regras especiais que possam ter ampliado a visibilidade dessas contas.

No caso do X, a Justiça Eleitoral pediu explicações sobre o funcionamento do Grok, ferramenta de inteligência artificial integrada à plataforma. A campanha de Lula afirma que a tecnologia teria apresentado respostas diferentes a solicitações semelhantes envolvendo os dois presidenciáveis.

Remoção de vídeo de MC Cabelinho também é questionada

Outro episódio analisado pelo tribunal envolve a retirada de um vídeo do projeto Revelando, apresentado pelo cantor MC Cabelinho, que fazia críticas a Flávio Bolsonaro.

A publicação foi removida do Instagram na quinta-feira (22), pouco depois de ser divulgada. A plataforma justificou a medida com base em suas regras sobre o uso de inteligência artificial em conteúdos eleitorais.

A campanha de Lula citou o episódio como exemplo de possível tratamento desigual.

Diante da reclamação, o ministro Ricardo Villas Bôas Cueva determinou que a Meta realize uma revisão humana do material e informe os motivos da remoção. A decisão não estabelece que a exclusão tenha sido irregular, mas exige uma avaliação detalhada do procedimento adotado pela empresa.

Meta nega favorecimento entre as candidaturas

A Meta já havia apresentado esclarecimentos ao TSE em outro procedimento relacionado às eleições. Em manifestação encaminhada na segunda-feira (19), a empresa negou favorecer qualquer candidatura e afirmou que aplica critérios iguais aos conteúdos políticos.

A companhia também declarou ter adotado medidas para evitar restrições indevidas às campanhas oficiais e garantir a revisão humana de determinadas decisões automatizadas.

A empresa argumenta que a igualdade exigida pela legislação eleitoral diz respeito às regras aplicadas, e não necessariamente à quantidade de visualizações obtidas por cada candidato.

Isso significa que diferenças de alcance, isoladamente, não comprovam favorecimento. A análise depende de informações técnicas sobre os sistemas de recomendação, a publicidade paga e a aplicação das políticas de moderação.

Tribunal poderá aplicar multa de R$ 500 mil por dia

Além de exigir os relatórios técnicos, o corregedor estabeleceu multa diária de R$ 500 mil para cada plataforma que deixar de cumprir injustificadamente as determinações.

A investigação também envolve Flávio Bolsonaro e seu candidato a vice-presidente, Alfredo Gaspar de Mendonça Neto, que receberam prazo de cinco dias para apresentar defesa.

O ministro adiou a análise de outros pedidos feitos pela campanha de Lula, incluindo medidas relacionadas à distribuição de propaganda e à suspensão de determinadas ferramentas, até que as empresas apresentem as informações solicitadas.

Com a votação marcada para domingo (25), a Justiça Eleitoral busca esclarecer se as plataformas estão aplicando suas regras de maneira equivalente aos candidatos. Até o momento, não há conclusão judicial de que Meta ou X tenham favorecido deliberadamente uma das campanhas.

*Da Agência Fonte Exclusiva

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