Procurador-geral defende restauração de limite de 22 semanas para aborto no STF

Paulo Gonet propõe que resolução do Conselho Federal de Medicina seja reativada, mesmo em casos de estupro, anencefalia ou risco à gestante.

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, enviou parecer ao STF defendendo a volta da resolução que limita o aborto a 22 semanas, reacendendo debate sobre direitos da gestante e proteção do feto.

Imagem: Reprodução/ Agência Brasil

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, apresentou ao Supremo Tribunal Federal (STF) um parecer sugerindo a restauração de uma antiga resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM) que proibia o aborto após 22 semanas de gestação, inclusive em casos de estupro, feto anencéfalo ou risco à vida ou saúde da gestante.

A norma havia sido revogada em maio de 2024 pelo ministro Alexandre de Moraes, após ação do PSOL questionar sua validade.

No documento, Gonet defende que a vida humana começa na fecundação, momento em que surge um indivíduo único, com código genético próprio, distinto de mãe e pai.

Ele argumenta que essa vida deve ser considerada um direito fundamental, que não pode ser desconsiderado em debates sobre aborto, mesmo diante de interesses da gestante ou de terceiros.

O procurador-geral se posicionou ainda contra a técnica de assistolia fetal, classificando-a como cruel por causar sofrimento ao feto.

Segundo ele, mesmo em situações em que o aborto fosse admitido, caberia ao Conselho de Medicina vetar métodos que, do ponto de vista técnico, provoquem dor ao feto já desenvolvido por mais de cinco meses.

Embora o parecer tenha sido apresentado, a decisão final caberá ao plenário do STF, que poderá manter ou alterar a determinação de Moraes. O documento tem caráter opinativo e serve apenas como referência para os ministros, que não são obrigados a seguir a recomendação.

Paralelamente, outra ação sobre discriminação no acesso ao aborto ainda aguarda análise na Corte, sem relação direta com este caso.

O episódio reacende o debate sobre os limites legais do aborto no Brasil, ponderando direitos da gestante e proteção do feto, e evidencia a complexidade das decisões jurídicas que envolvem ética, medicina e direitos fundamentais.

*Da Agência Fonte Exclusiva

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