PF apura dinheiro usado em filme sobre Bolsonaro e suspeita de recursos públicos

Investigações citam negociações com Daniel Vorcaro, participação de Flávio Bolsonaro e repasses ligados a emendas parlamentares.

PF investiga a origem dos recursos usados em “Dark Horse”, filme sobre Jair Bolsonaro, e apura possível uso irregular de dinheiro público na produção.

Imagem: Reprodução/Gettyimages.ru / Andressa Anholete/Allison Sales/NurPhoto/Reprodução/ Via RT

A produção de “Dark Horse”, filme que retrata a trajetória de Jair Bolsonaro, passou a ser alvo de duas linhas de investigação da Polícia Federal. Os investigadores apuram a origem do dinheiro utilizado no projeto e também uma possível ligação entre recursos públicos e o financiamento da obra.

Novos detalhes vieram a público nesta sexta-feira (11), após ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) determinarem a retirada do sigilo de documentos relacionados às apurações. As decisões foram tomadas pelos ministros André Mendonça e Edson Fachin.

Os casos estão distribuídos entre inquéritos relatados por André Mendonça e Flávio Dino e envolvem pessoas próximas à família Bolsonaro, além do empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.

Flávio Bolsonaro teria participado das negociações

Mensagens obtidas pela PF indicam que o senador Flávio Bolsonaro teria mantido contato direto com Vorcaro sobre o financiamento do filme e acompanhado questões relacionadas aos pagamentos e às gravações.

Uma das conversas ocorreu em dezembro de 2024, quando os dois teriam combinado um encontro para discutir o projeto.

Em setembro de 2025, segundo os investigadores, Flávio voltou a procurar o empresário para tratar de repasses e demonstrou preocupação com possíveis atrasos nos pagamentos destinados ao ator Jim Caviezel e ao diretor Cyrus Nowrasteh.

Durante as filmagens, em outubro, o senador teria informado que a produção estava no terceiro dia e enfrentava dificuldades financeiras. Na ocasião, também teria pedido que Vorcaro avisasse caso não tivesse condições de realizar um novo aporte.

As negociações relacionadas ao longa poderiam alcançar aproximadamente R$ 130 milhões. Desse total, cerca de R$ 61 milhões teriam sido efetivamente pagos, segundo informações reunidas na investigação.

Pouco antes da prisão de Vorcaro, em novembro de 2025, Flávio teria enviado uma mensagem ao empresário demonstrando apoio e buscando informações sobre a situação financeira do projeto.

PF identifica milhões enviados a fundo nos EUA

A investigação também acompanha a movimentação do Havengate, fundo administrado pelo advogado Paulo Calixto e apontado pelos investigadores como ligado a Eduardo Bolsonaro.

O fundo foi criado em 2020 com a finalidade declarada de captar recursos para um projeto imobiliário estimado em aproximadamente US$ 21 milhões. De acordo com informações analisadas pela PF, porém, não teria sido encontrada atividade compatível com o empreendimento no endereço registrado.

Durante os primeiros anos, o Havengate teria apresentado pouca movimentação. O cenário mudou em fevereiro de 2025, quando a estrutura recebeu seu primeiro aporte da Entre Investimentos, empresa associada a Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro” e citado nas investigações como operador de Vorcaro.

Segundo a PF, os repasses realizados naquele ano chegaram a US$ 24 milhões e foram interrompidos após a prisão do empresário.

O depoimento de Mineiro também acrescentou informações ao caso. Segundo o colaborador, sete transferências, que somaram US$ 12,3 milhões, teriam sido destinadas ao Havengate para financiar o filme.

Eduardo Bolsonaro também é mencionado nos documentos. Conforme a investigação, ele teria participado de orientações relacionadas à gestão do orçamento da produção nos Estados Unidos.

Emendas parlamentares entram no foco da apuração

A outra frente investigativa trata de dinheiro público. A PF busca descobrir se recursos provenientes de emendas parlamentares, destinados inicialmente a organizações da sociedade civil, foram desviados ou utilizados de alguma maneira no financiamento do filme.

Entre os alvos das medidas está o deputado federal Mário Frias (PL-SP), que também atua como produtor-executivo de “Dark Horse”. A empresária Karina Gama, ligada à Go Up Entertainment, também foi alvo da operação.

Ao todo, foram cumpridos 49 mandados de busca e apreensão nessa frente da investigação.

A Go Up Entertainment, responsável pela produção do longa, recebeu recursos de entidades que haviam sido beneficiadas por emendas parlamentares. A hipótese investigada pelos policiais é de que parte desse dinheiro possa ter sido transferida por meio de empresas intermediárias até chegar à produtora.

Os investigadores também encontraram movimentações consideradas atípicas durante o período de produção e agora procuram estabelecer se existe uma relação entre esses valores e o financiamento de “Dark Horse”.

Lançamento do filme segue sem nova data

O avanço das investigações também afetou os planos de lançamento do filme. A Europa Filmes adiou a definição de uma nova data para a chegada de “Dark Horse” aos cinemas.

A distribuidora aguarda o andamento das apurações antes de anunciar quando a produção será lançada.

As informações descritas fazem parte de investigações ainda em andamento. As suspeitas levantadas pela Polícia Federal não significam, por si só, que os envolvidos tenham cometido crimes ou que as irregularidades tenham sido comprovadas pela Justiça.

*Da Agência Fonte Exclusiva

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