Lula promete “estrada modelo” na Amazônia durante defesa da BR-319

Projeto divide opiniões dentro do governo por riscos ambientais e impactos sobre áreas protegidas.

Presidente defende asfaltamento da BR-319 e afirma que obra será exemplo de preservação ambiental.

📸Reprodução/Gettyimages.ru / Andrew Harnik Via RT

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a defender o asfaltamento da BR-319, rodovia que conecta Manaus a Porto Velho, e afirmou que o projeto poderá se transformar em uma referência internacional de preservação ambiental.

A declaração foi feita nesta terça-feira (26), durante a entrega de 576 unidades habitacionais do programa Minha Casa Minha Vida, na capital amazonense.

Segundo Lula, a obra exige planejamento diferenciado por atravessar uma área considerada estratégica para a preservação da Floresta Amazônica.

O presidente destacou que o governo federal discute há meses mecanismos de fiscalização e controle ambiental para reduzir impactos provocados pela intervenção.

Durante o discurso, Lula afirmou que a execução da rodovia envolverá diversos órgãos públicos e instituições de segurança para impedir crimes ambientais e ocupações ilegais ao longo da estrada.

De acordo com o presidente, o projeto deverá contar com participação de governos estaduais, prefeituras, forças policiais e órgãos ambientais, além do apoio do Exército Brasileiro e da Polícia Federal.

O chefe do Executivo ressaltou que o objetivo é evitar que o asfaltamento da BR-319 provoque aumento no desmatamento ilegal, extração irregular de madeira e invasão de áreas protegidas da Amazônia.

Lula também afirmou que a intenção do governo é transformar a rodovia em um exemplo de obra sustentável, conciliando infraestrutura e preservação ambiental.

Apesar da defesa do projeto pelo Palácio do Planalto, a proposta enfrenta resistência dentro da própria área ambiental do governo. A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, tem defendido cautela no avanço do licenciamento ambiental da rodovia.

A preocupação da ministra está concentrada principalmente no chamado trecho do meio da BR-319, considerado o ponto mais sensível do projeto por atravessar áreas de floresta preservada e regiões vulneráveis à ocupação irregular.

Segundo a avaliação técnica defendida por Marina Silva, a análise ambiental precisa considerar não apenas os impactos diretos da estrada, mas também possíveis efeitos indiretos, como avanço do desmatamento, pressão sobre terras públicas e crescimento de atividades ilegais na região.

A BR-319 é uma das principais demandas de infraestrutura da Região Norte e há anos divide opiniões entre setores que defendem o desenvolvimento logístico da Amazônia e especialistas preocupados com os impactos ambientais da obra.

*Da Agência Fonte Exclusiva

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