Lula chama carta de Flávio Bolsonaro aos EUA de atitude contra a soberania nacional

Documento enviado aos EUA argumenta que a tarifa pode ser usada politicamente durante a eleição brasileira

Flávio pede suspensão de tarifa dos EUA, e Lula reage com críticas ao que chamou de entreguismo.

Imagem: Reprodução/ Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou, nesta quinta-feira, 2, a carta enviada pelo senador Flávio Bolsonaro ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, a USTR. No documento, o parlamentar pede a suspensão da tarifa de 25% proposta contra produtos brasileiros e defende a abertura de uma negociação bilateral entre Brasil e Estados Unidos.

Em publicação nas redes sociais, Lula afirmou que é “inaceitável” que a família Bolsonaro, segundo ele, tente submeter o Brasil aos interesses americanos. O presidente classificou o gesto como “entreguismo” e disse que o país deve manter diálogo com outras nações “de igual para igual”.

Lula também chamou o pedido de Flávio de “mais uma atitude de traidores da Pátria”. Para o presidente, não há justificativa para a adoção da tarifa, seja agora ou depois do período eleitoral. Ele voltou a defender que a soberania brasileira é inegociável e afirmou que o Brasil “não está à venda”.

A carta enviada por Flávio Bolsonaro à USTR sustenta que a tarifa pode ser explorada politicamente pelo governo brasileiro durante a eleição. O senador argumenta que a medida, se implementada antes da votação, poderia ser apresentada como interferência externa e beneficiar o atual governo no debate interno.

No documento, Flávio pede a suspensão da ação proposta e a criação de um mecanismo de negociação bilateral com agenda definida. Ele também defende que eventual implementação da tarifa seja adiada para depois da eleição brasileira, sob o argumento de evitar a percepção de tentativa de influência no processo eleitoral.

O presidente brasileiro, por sua vez, afirmou que a crise tarifária foi iniciada pela família Bolsonaro e voltou a associar o episódio a uma postura de alinhamento aos Estados Unidos. Lula também criticou posições atribuídas ao senador sobre o Mercosul, bloco que classificou como o mais importante da América Latina.

Na mesma manifestação, Lula mencionou o Pix e disse que o sistema de pagamentos é uma conquista brasileira. O presidente afirmou que não permitirá que o país abra mão da ferramenta ou a submeta a interesses estrangeiros.

Flávio Bolsonaro afirma que se opõe à tarifa sobre produtos brasileiros e que a medida prejudicaria consumidores e produtores dos dois países. Segundo o senador, a proposta americana acabou sendo usada pelo governo Lula para acusar a oposição de traição ao país.

A disputa ocorre em meio à investigação comercial conduzida pelo governo dos Estados Unidos sobre práticas brasileiras consideradas desleais por autoridades americanas. O caso passou a ter forte repercussão política no Brasil, especialmente por envolver a oposição, a família Bolsonaro e o governo Lula em ano eleitoral.

No documento encaminhado aos EUA, Flávio também cita o caso do Banco Master e associa o escândalo a autoridades ligadas ao governo Lula. O senador, no entanto, foi alvo de reportagens anteriores sobre contatos com o banqueiro Daniel Vorcaro para tratar de financiamento privado de um filme sobre Jair Bolsonaro. Flávio nega irregularidades e afirma que a iniciativa não teve contrapartida política.

A tensão entre governo e oposição deve continuar nos próximos dias, especialmente com a proximidade da audiência pública nos Estados Unidos sobre a proposta de tarifa. O governo brasileiro sustenta que qualquer negociação comercial deve respeitar a soberania nacional, enquanto Flávio afirma que atua para evitar prejuízos econômicos ao país.

*Da Agência Fonte Exclusiva

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