Fim da separação por facção em presídios divide opiniões no Congresso

Proposta aprovada em comissão estabelece novos critérios para organização interna das unidades prisionais.

Projeto que muda regras de custódia em presídios avança na Câmara

📸 Ilustração/Fonte Exclusiva

A proposta que proíbe a separação automática de presos com base em suposta ligação a facções criminosas avançou na Câmara dos Deputados e reacendeu o debate sobre a gestão do sistema prisional brasileiro. O texto foi aprovado em dezembro de 2025 na Comissão de Segurança Pública e agora segue para análise em outras comissões antes de ser votado em plenário.

A medida estabelece que a distribuição de detentos em celas, alas ou unidades prisionais deverá obedecer a critérios técnicos individualizados. Entre os fatores a serem considerados estão a preservação da integridade física do preso, a segurança de terceiros e a avaliação da administração penitenciária. A proposta impede que a simples identificação de vínculo com organizações criminosas seja utilizada como critério automático para separação.

O projeto é um substitutivo apresentado ao Projeto de Lei 2241/25 e também traz regras sobre a participação da iniciativa privada na gestão de presídios. Pelo texto, empresas poderão atuar apenas em atividades de apoio, sem exercer funções relacionadas à segurança, disciplina ou poder coercitivo, que continuam sob responsabilidade das Polícias Penais.

Debate divide opiniões

Parlamentares favoráveis argumentam que a prática de separar detentos por facção acaba formalizando a existência desses grupos dentro das unidades prisionais, fortalecendo sua estrutura interna e ampliando sua influência. Para esse grupo, a individualização da pena e da custódia estaria mais alinhada aos princípios legais previstos na legislação penal brasileira.

Já críticos da proposta alertam para possíveis impactos na segurança interna dos presídios. Em diversos estados, a separação por facção foi adotada como estratégia para reduzir confrontos entre grupos rivais e minimizar episódios de violência. Especialistas defendem que qualquer mudança no modelo atual exige planejamento técnico, reforço de efetivo e acompanhamento rigoroso dos indicadores de segurança.

O avanço da proposta ocorre em meio a uma agenda mais ampla de discussões sobre segurança pública no Congresso Nacional. Projetos voltados ao enfrentamento de organizações criminosas, como o chamado PL Antifacção, e debates sobre mudanças nas regras de execução penal também estão em pauta.

Além disso, o governo federal apresentou planos para reorganizar políticas penais e fortalecer o controle do Estado sobre o sistema carcerário, numa tentativa de reduzir a influência de grupos criminosos nas unidades prisionais.

Para se tornar lei, o projeto ainda precisa passar por outras comissões da Câmara, ser aprovado em plenário e, posteriormente, seguir para análise do Senado Federal. Somente após aprovação nas duas Casas Legislativas o texto poderá ser encaminhado para sanção presidencial.

A discussão evidencia um dos principais desafios do país na área de segurança pública: equilibrar direitos individuais, gestão eficiente do sistema penitenciário e combate efetivo às organizações criminosas.

*Da Agência Fonte Exclusiva

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