O desembargador federal Macário Judice Neto, integrante do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), foi preso nesta terça-feira, 16, durante a segunda fase da Operação Unha e Carne, deflagrada pela Polícia Federal. A investigação apura o vazamento de informações sigilosas relacionadas à Operação Zargun, que mira organizações criminosas envolvidas com tráfico internacional de drogas e armas.
O TRF-2 é responsável por julgar processos que envolvem os estados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo. Segundo a Polícia Federal, Macário Judice Neto é suspeito de participação em irregularidades ligadas à condução de processos judiciais sensíveis, incluindo um caso que envolve o ex-deputado estadual Thiago Raimundo dos Santos, conhecido como TH Joias.
A PF apura se houve vazamento de informações sigilosas durante a tramitação do processo. TH Joias foi preso anteriormente por suspeita de envolvimento com a facção criminosa Comando Vermelho. A Operação Zargun, da qual o caso faz parte, foi deflagrada em setembro para investigar uma organização criminosa com atuação no tráfico internacional.
A reportagem tentou contato com a defesa do desembargador, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria.
Histórico de investigações e afastamento
Macário Judice Neto já havia sido alvo de outras investigações ao longo da carreira. Ele chegou a permanecer afastado do cargo por quase 18 anos, sob suspeita de envolvimento em esquemas de venda de sentenças no Espírito Santo.
De acordo com informações públicas, ele foi nomeado desembargador federal em maio de 2023. À época, figurava como o primeiro nome da lista para a vaga no tribunal.
Operação Unha e Carne
A segunda fase da Operação Unha e Carne foi autorizada por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Estão sendo cumpridos mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão em endereços no Rio de Janeiro e no Espírito Santo.
A ação faz parte do desdobramento de uma decisão do STF no julgamento da ADPF 635, que determinou a apuração da atuação de grupos criminosos violentos e de possíveis conexões com agentes públicos no estado do Rio de Janeiro.
As investigações seguem em andamento, e a Polícia Federal não descarta novos desdobramentos.
*Da Agência Fonte Exclusiva
