Crise no RJ se agrava após decisão contra decreto de Castro

Suspensão de “superpoderes” ocorre no mesmo dia de anulação na Alerj.

Decisão judicial amplia crise institucional no Rio de Janeiro

📸 Reprodução

A Justiça do Rio de Janeiro suspendeu, em decisão liminar nesta quinta-feira (26), o decreto editado pelo ex-governador Cláudio Castro que ampliava os poderes da Casa Civil estadual.

A medida foi assinada pela desembargadora Cristina Tereza Gaulia, do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ), após ação apresentada pelo deputado estadual Flávio Serafini.

O decreto havia sido publicado nos últimos dias do mandato de Castro e transferia ao secretário da Casa Civil, Marco Antônio Rodrigues Simões, uma série de atribuições estratégicas. Entre elas, estavam a possibilidade de nomear e exonerar servidores, além de autorizar despesas públicas — funções tradicionalmente concentradas no chefe do Executivo.

Na avaliação da magistrada, a norma pode ter extrapolado limites constitucionais ao delegar competências consideradas indelegáveis. A decisão destaca que a condução política, administrativa e orçamentária do estado é responsabilidade direta do governador.

“Superpoderes” na Casa Civil

O decreto também ampliava o controle da Casa Civil sobre áreas estratégicas do governo, incluindo orçamento, execução financeira e gestão de recursos humanos, o que levou críticos a classificarem a medida como a criação de um “superministério” dentro da estrutura estadual.

A ação que resultou na suspensão foi movida por parlamentares da oposição, que alegaram risco de concentração excessiva de poder e violação à Constituição.

A decisão ocorre em meio a um cenário de instabilidade no estado. Cláudio Castro deixou o cargo em março de 2026 após pressões políticas e decisões judiciais relacionadas ao processo eleitoral de 2022.

Com a renúncia e a vacância também do cargo de vice-governador, o estado passou a enfrentar uma crise sucessória, com necessidade de eleição indireta para definição do novo chefe do Executivo.

Impactos da decisão

Com a suspensão do decreto, ficam interrompidos os efeitos da norma, e as atribuições retornam ao modelo tradicional, centralizadas no governador.

A decisão ainda é provisória e pode ser alvo de recurso, o que mantém o caso em aberto no Judiciário.

No mesmo dia, outro episódio reforçou o clima de instabilidade: a Justiça também anulou a eleição da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), ampliando a tensão política no estado.

*Da Agência Fonte Exclusiva

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