CPMI do INSS recusa ouvir Lulinha mesmo após relato sobre viagens e repasses

Base governista barra tentativa da oposição após testemunha citar suposto recebimento de até R$ 25 milhões pelo filho do presidente.

Oposição tenta, mas CPMI do INSS barra convocação de Lulinha após suspeitas

Presidente da CPMI do INSS, Carlos Viana, falou sobre as suspeitas que recaem sobre o filho do Lula (Foto: Geraldo Magela/Agência Senado)

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito que investiga fraudes bilionárias no INSS decidiu, nesta quinta-feira (4), rejeitar a convocação de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, mesmo após um depoimento considerado sensível por integrantes do colegiado apontar possível participação do empresário no esquema que teria lesado aposentados e pensionistas em todo o país.

A pressão pela convocação aumentou depois que parlamentares tiveram acesso ao depoimento de Edson Claro, ex-funcionário de Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, preso desde setembro e apontado como líder da organização criminosa. As declarações foram reveladas pelo portal Poder360 e reabriram discussões sobre supostos repasses e vínculos financeiros.

O presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), afirmou que documentos e testemunhos analisados pela comissão sugerem que Lulinha e uma publicitária ligada ao PT podem ter recebido cerca de R$ 8 milhões, parte de um valor que poderia chegar a R$ 25 milhões. Segundo Viana, os recursos teriam sido usados para criar empresas no exterior, financiar viagens e apoiar negócios relacionados ao canabidiol.

“Não podemos afirmar que isso já se confirma em documentos”, disse o senador. “Por isso, coloquei o requerimento em votação. Cada parlamentar vota segundo sua consciência.”

Até o momento, não há provas diretas que confirmem o envolvimento de Lulinha. A defesa do empresário não respondeu às solicitações da reportagem. Ele vive na Espanha desde julho.

Testemunha cita “mesada” de R$ 300 mil e viagens ao exterior

Em seu depoimento à Polícia Federal, Edson Claro afirmou que Lulinha teria recebido uma mesada de aproximadamente R$ 300 mil, somando até R$ 25 milhões durante todo o período de atuação do esquema fraudulento.

Claro também relatou que Lulinha e o “Careca do INSS” teriam viajado juntos para países europeus, como Portugal, e insinuou possíveis ligações com a empresa World Cannabis, investigada pela PF e pela CPMI por suspeita de lavagem de dinheiro.

Segundo investigadores ouvidos pelo Poder360, há indícios como relatórios financeiros e registros de viagem, mas nenhuma prova conclusiva até o momento.

Governistas barram convocação de novas testemunhas

A oposição tentou colocar em votação a convocação de Edson Claro e de Lulinha, mas integrantes da base governista bloquearam ambos os pedidos.

Para o deputado Paulo Pimenta (PT-RS), “acusações sem provas feitas por um delator sem credibilidade, usadas para criar factoides, serão rejeitadas”.

O requerimento para ouvir Lulinha foi apresentado por Marcel van Hattem (Novo-RS), Eduardo Girão (Novo-CE), Adriana Ventura (Novo-SP) e Luiz Lima (Novo-RJ). Os parlamentares citam que o advogado Eli Cohen descreveu, em depoimento à CPMI, uma estrutura criminosa que desviaria recursos há mais de 15 anos, envolvendo operadores privados e agentes públicos.

O pedido também menciona reportagem do Metrópoles apontando que:

Segundo o requerimento, no mesmo período, Bimbo pagou um boleto de R$ 10.354,60 ao contador João Muniz Leite, que também prestou serviços a Lulinha e é investigado pelo Ministério Público de São Paulo na Operação Fim da Linha, sob suspeita de lavar dinheiro para o PCC.

Os autores afirmam que a coincidência de datas e valores “é grave e exige esclarecimentos imediatos”.

O que diz a oposição

Os parlamentares do Novo argumentam que:

Para a oposição, a convocação seria “necessária, proporcional e urgente” para esclarecer a extensão do esquema criminoso.

Mesmo rejeitado, o pedido de convocação pode voltar ao debate caso novas evidências sejam apresentadas. A comissão segue analisando documentos sigilosos, relatórios financeiros e depoimentos que serão colhidos nas próximas semanas.

Se a convocação for aprovada futuramente, Lulinha poderá ser obrigado a prestar esclarecimentos formais ao colegiado.

*Da Agência Fonte Exclusiva

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