Cármen Lúcia ganha peso em disputa interna no STF

Ministra ainda não aderiu aos grupos ligados a Moraes e Mendonça e pode ter papel decisivo nos julgamentos sobre o caso Master.

Cármen Lúcia ganha protagonismo na divisão interna do STF provocada pelo caso Banco Master e ainda não definiu posição entre Moraes e Mendonça.

Imagem: Reprodução/ Gettyimages.ru / Ton Molina/NurPhoto/ Via RT

Sem aderir a nenhum dos lados formados dentro do Supremo Tribunal Federal, Cármen Lúcia passou a ocupar uma posição decisiva na crise que envolve Alexandre de Moraes, André Mendonça e os desdobramentos das investigações sobre o Banco Master.

Segundo informações publicadas pela Folha de S.Paulo neste domingo (6), a ministra identifica problemas nas atuações dos dois colegas e pretende avaliar o conteúdo dos processos antes de assumir uma posição.

A divisão interna ganhou força após uma série de decisões e acusações envolvendo as investigações conduzidas por Mendonça e a reação de Moraes.

Um dos pontos que deverá chegar ao plenário diz respeito à forma como André Mendonça conduziu apurações relacionadas ao Banco Master.

Em outra frente, os ministros também terão de analisar a iniciativa de Alexandre de Moraes, que pediu a abertura de investigação contra Mendonça por suspeitas de abuso de autoridade, improbidade administrativa e outras irregularidades.

Supremo está dividido

Nos bastidores da Corte, Moraes teria posições mais favoráveis de Flávio Dino, Gilmar Mendes e Cristiano Zanin.

André Mendonça, por outro lado, teria maior proximidade neste debate com Luiz Fux, Kassio Nunes Marques e o presidente do STF, Edson Fachin.

Dias Toffoli está fora das discussões diretamente relacionadas ao caso Master porque se declarou impedido.

Com esse cenário, o voto de Cármen Lúcia passou a ser considerado especialmente importante para o equilíbrio das decisões.

Ministra evita antecipar posição

Segundo interlocutores, Cármen reconhece que sua posição é disputada pelos dois grupos, mas não pretende antecipar qualquer compromisso.

A ministra teria afirmado que ainda não analisou integralmente os autos e que seu posicionamento será construído a partir dos processos e dos parâmetros estabelecidos pela Constituição.

A postura aumenta a expectativa sobre como ela votará quando os temas chegarem ao plenário.

Relatório da PF deverá ser analisado

A crise ganhou mais um capítulo neste domingo, depois que André Mendonça liberou para julgamento no plenário o processo relacionado ao relatório da Polícia Federal que aponta contatos entre Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, e Alexandre de Moraes.

Agora, caberá ao presidente do Supremo, Edson Fachin, definir quando o assunto será incluído na pauta.

O julgamento deverá ir além das relações envolvendo Vorcaro e Moraes. A discussão também deverá abordar os limites da atuação de ministros do próprio STF na condução de investigações e na reação a decisões tomadas por colegas da Corte.

A disputa, que começou em torno das apurações do Banco Master, tornou-se uma das principais crises internas recentes do Supremo e poderá produzir reflexos sobre a forma como o tribunal lida com investigações envolvendo seus próprios integrantes.

*Da Agência Fonte Exclusiva

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