Candidato à Presidência defende saída do Brasil de tratado nuclear e criação de arsenal

Durante sabatina, Renan Santos afirmou que país deveria desenvolver armas nucleares para ampliar sua capacidade de defesa e influência internacional.

Renan Santos defende que o Brasil deixe o Tratado de Não-Proliferação Nuclear e desenvolva um arsenal próprio para fortalecer sua soberania.

Imagem: Reprodução/ Eliane Neves/Fotoarena/Legion-media.ru/KCNA/AP/ Via RT

O debate sobre a posição do Brasil no cenário internacional ganhou um tom mais controverso durante a sabatina realizada pela TV Globo nesta quarta-feira (26).

O candidato à Presidência da República pelo partido Missão, Renan Santos, defendeu que o país deixe o Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares (TNP) e passe a desenvolver seu próprio arsenal.

Questionado pela apresentadora Renata Vasconcellos sobre a proposta, o candidato afirmou que a saída do tratado deveria acontecer “necessariamente, e no momento certo”.

Durante a entrevista, Renata lembrou que a Coreia do Norte é o único país que deixou formalmente o TNP desde a criação do acordo. O país asiático deixou o tratado em 2003 e posteriormente desenvolveu seu programa de armas nucleares.

Ao justificar sua posição, Renan citou justamente a Coreia do Norte como exemplo de país que, apesar de seu regime político, teria conquistado maior peso nas relações internacionais por possuir capacidade nuclear.

“Pelo menos a Coreia do Norte, por mais que seja um regime que eu considero opressivo e que eu não o respeite, pelo menos ele é respeitado internacionalmente de maneira que a Venezuela não foi”, afirmou.

Candidato relaciona armas nucleares à soberania

Renan Santos apresentou a proposta como parte de uma estratégia para aumentar a capacidade de defesa e a autonomia do Brasil. Segundo ele, o tamanho do território brasileiro e a quantidade de recursos naturais existentes no país exigiriam uma política de defesa mais forte.

Na avaliação do candidato, o cenário internacional deve passar por novas mudanças nas próximas décadas, o que exigiria uma revisão das alianças e da estratégia de defesa brasileira.

Ele argumentou que o país teria de decidir entre manter uma posição de menor influência internacional ou desenvolver mecanismos que aumentassem seu poder de negociação diante de outras nações.

“Se a gente quiser ser o eterno Zé Carioca no mundo, o personagem engraçado em que os gringos vêm aqui para fazer festa e que a gente exporta matéria-prima e recebe produto pronto, tudo bem, não fazemos armas nucleares, aceitamos nossa posição submissa”, declarou.

Plano prevê desenvolvimento ao longo de décadas

O candidato afirmou que uma eventual política de desenvolvimento de armas nucleares não precisaria ocorrer imediatamente. Segundo ele, o Brasil poderia construir essa capacidade de forma gradual ao longo dos próximos 30 anos.

A proposta colocaria o país diante de uma mudança profunda em sua atual política nuclear. O Brasil é signatário do TNP e mantém uma política oficial de uso da energia nuclear para fins pacíficos.

Além das questões diplomáticas, uma eventual decisão de abandonar o tratado teria impactos políticos e estratégicos e poderia provocar reações de outros países.

Para Renan Santos, porém, a construção de uma capacidade nuclear militar seria necessária caso o Brasil queira ampliar sua autonomia, sua capacidade de defesa e seu peso nas relações internacionais.

*Da Agência Fonte Exclusiva

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