Artes marciais vão entrar na rotina escolar em Macaé

Audiência pública reuniu vereadores, professores, mestres e representantes da Educação para debater a implantação da lei.

Projeto aprovado em Macaé cria diretrizes de prevenção à violência nas escolas e segue para análise do Executivo municipal.

Aulas de judô em escolas públicas reforçam valores como concentração, respeito, disciplina e inclusão social. Crédito: Jornal Correio / Divulgação.

A Secretaria Municipal de Educação de Macaé confirmou que vai colocar em prática o Programa de Artes Marciais nas escolas da rede pública municipal. A medida atende à Lei 4.661/2019, que institui a iniciativa no município, e foi anunciada durante audiência pública realizada na Câmara de Macaé, na noite de quinta-feira (19).

O encontro reuniu professores, mestres, esportistas, representantes da sociedade civil, vereadores e integrantes do Executivo municipal. Autor da lei, o vereador Marvel Maillet comemorou o avanço, mas defendeu união entre poder público, profissionais da área esportiva e comunidade escolar para que o projeto saia do papel o quanto antes.

Segundo Marvel, a combinação entre esporte e educação pode contribuir para transformar a realidade de crianças e jovens do município. O parlamentar afirmou que o prefeito Welberth Rezende apoia a proposta e que Macaé tem condições de se tornar referência para outras cidades na implantação das artes marciais dentro do ambiente escolar.

A audiência contou ainda com a presença do secretário municipal de Educação, Matias Mendes, do secretário executivo de Educação Básica, Adalmir Cardoso Ribeiro Filho, e da vereadora Leandra Lopes. Durante o debate, Leandra destacou que a ampliação das escolas em tempo integral fortalece a possibilidade de inclusão de atividades esportivas na rotina dos estudantes.

Para a parlamentar, a presença da sociedade civil no plenário mostrou o interesse da população no tema. Ela ressaltou que o esporte pode abrir caminhos para inclusão, disciplina, convivência e novas oportunidades desde os primeiros anos da vida escolar.

O programa nas escolas

Durante a apresentação, o secretário Matias Mendes informou que a Secretaria de Educação avançou nos estudos técnicos para viabilizar a implantação do programa. Segundo ele, grupos de trabalho foram criados para avaliar a execução da proposta, incluindo aspectos ligados à estrutura, segurança, licitação e adaptação para estudantes com deficiência.

A rede municipal de Macaé conta atualmente com 39.350 alunos distribuídos em 110 unidades escolares. Desse total, 28,19% estão matriculados em escolas de tempo integral. A previsão inicial é que o programa atenda crianças a partir de 7 anos, matriculadas no Ensino Fundamental.

De acordo com a Secretaria de Educação, a primeira etapa deve contemplar 63 escolas. A pasta também prevê reformas em espaços já existentes e construção de novas quadras para garantir locais adequados e seguros para a prática das atividades.

As aulas deverão ocorrer duas vezes por semana, com duração de uma hora cada. Cada turma terá, no máximo, 20 estudantes. A secretaria também pretende realizar avaliações semestrais para acompanhar os resultados do programa e medir os impactos na rotina escolar dos alunos.

A proposta inicial inclui cinco modalidades: jiu-jitsu, judô, taekwondo, karatê e capoeira. Cada unidade escolar terá autonomia para escolher qual modalidade será oferecida, de acordo com sua realidade, estrutura e demanda dos estudantes.

Esporte, disciplina e inclusão

Durante a audiência, representantes das artes marciais defenderam que o programa chegue também às comunidades e regiões mais afastadas do centro. Referência na capoeira, o mestre Dino afirmou que o esporte tem papel importante na formação de cidadãos mais comprometidos, disciplinados e respeitosos.

O professor de jiu-jitsu Rodrigo Melhorance também destacou o impacto social das artes marciais. Segundo ele, a prática esportiva tem capacidade de transformar vidas, especialmente quando chega a crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade.

Morador das Malvinas e praticante de judô, Guilherme dos Santos relatou que começou nas artes marciais aos 9 anos e reconheceu a importância do acesso ao esporte fora das áreas centrais. Para ele, levar o programa às escolas das comunidades é essencial para ampliar oportunidades e garantir que mais crianças tenham contato com modalidades que ensinam disciplina, respeito e superação.

Com a confirmação da Secretaria de Educação, a expectativa agora é pela definição do cronograma de implantação, adequação dos espaços e abertura do processo necessário para contratação dos profissionais e estruturação das aulas.

*Da Agência  Fonte Exclusiva

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