No esquema tático adotado por Carlo Ancelotti, o papel de um volante organizador voltou a ganhar protagonismo na Seleção Brasileira, especialmente com o desempenho de Bruno Guimarães.
A função, conhecida no futebol italiano como “regista”, é responsável por controlar o ritmo do meio-campo e atuar como elo central na construção das jogadas.
A ideia não é nova na carreira de Ancelotti. Em equipes anteriores, o treinador já utilizou esse perfil de jogador com nomes como Andrea Pirlo, no Milan, e Toni Kroos, no Real Madrid. Ambos exerciam papel fundamental na circulação da bola, ditando a velocidade das ações ofensivas e facilitando a transição entre defesa e ataque.
Na Copa do Mundo de 2026, Bruno Guimarães assumiu essa responsabilidade no meio-campo brasileiro. Mesmo sem marcar gols, o volante lidera o ranking de assistências da Seleção no torneio, com quatro passes decisivos.
O mais recente ocorreu na vitória por 2 a 1 sobre o Japão, em Houston, quando encontrou Gabriel Martinelli nos acréscimos e garantiu a classificação às oitavas de final.
Além da contribuição ofensiva, o desempenho do meio-campista se destaca pela intensidade e volume de jogo. Na partida contra os japoneses, Bruno foi o jogador brasileiro mais acionado, com 99 participações para receber a bola, além de percorrer 12,1 quilômetros durante os 90 minutos. Sua eficiência também apareceu na precisão dos passes, com 35 acertos em 39 tentativas.
Ao longo da competição, o volante já havia participado diretamente de outros lances decisivos, como na estreia diante de Marrocos, quando serviu Vinícius Júnior para o gol de empate, e na terceira rodada da fase de grupos, ao acumular duas assistências distribuídas entre Vinícius Júnior e Matheus Cunha.
Com esses números, Bruno Guimarães se junta a um grupo seleto de jogadores do século XXI que alcançaram quatro assistências em uma única edição de Copa do Mundo, ao lado de nomes como Michael Ballack, Francesco Totti e Juan Cuadrado. No recorte histórico, ele se aproxima do recorde absoluto em uma edição do torneio, ainda pertencente a Pelé, em 1970.
Após a vitória contra o Japão, Ancelotti destacou a importância do meio-campista no funcionamento coletivo da equipe, ressaltando sua capacidade de manter a fluidez do jogo e equilibrar funções defensivas e ofensivas com regularidade e inteligência tática.
*Da Agência Fonte Exclusiva
