Brasil e Noruega duelam nas oitavas da Copa enquanto fortalecem parceria pela preservação das florestas

Adversários inéditos na Copa do Mundo de 2026, países mantêm cooperação em iniciativas ambientais e fundos bilionários voltados ao combate às mudanças climáticas.

Brasil enfrenta a Noruega nas oitavas da Copa de 2026 em duelo inédito por vitória. Fora dos gramados, os países mantêm parceria na preservação da Amazônia e no combate às mudanças climáticas.

Imagem: Ilustração/ Agência Fonte Exclusiva

A Seleção Brasileira de Futebol terá um desafio inédito nas oitavas de final da Copa do Mundo FIFA 2026 ao enfrentar a Seleção Norueguesa de Futebol no próximo domingo, às 17h (horário de Brasília).

Além da busca por uma vaga nas quartas de final, o confronto coloca frente a frente dois países que compartilham uma ampla cooperação internacional voltada à preservação ambiental e ao enfrentamento das mudanças climáticas.

O retrospecto entre as seleções favorece os europeus. Desde 1998, Brasil e Noruega se enfrentaram quatro vezes, com duas vitórias norueguesas e dois empates. O duelo deste Mundial representa mais uma oportunidade para a equipe brasileira conquistar sua primeira vitória diante do adversário.

Fora das quatro linhas, Brasil e Noruega mantêm uma parceria consolidada em projetos ambientais. O país europeu é o principal financiador do Fundo Amazônia, criado em 2008 para apoiar ações de combate ao desmatamento, preservação da floresta e desenvolvimento sustentável na Amazônia.

A Noruega também aderiu ao Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF, na sigla em inglês), iniciativa voltada ao financiamento permanente da conservação de florestas tropicais.

O TFFF foi lançado oficialmente durante a COP30, realizada em Belém, com o objetivo de apoiar projetos de preservação em regiões como América do Sul, África Central e Sudeste Asiático.

Na ocasião, a Noruega anunciou um compromisso de investir US$ 3 bilhões ao longo de dez anos, considerado o maior aporte individual ao fundo e também o maior investimento da história do país voltado à proteção de florestas tropicais. O ministro do Clima e do Meio Ambiente da Noruega, Andreas Bjelland Eriksen, afirmou que a destruição das florestas representa uma ameaça global e destacou a importância do mecanismo para reduzir os impactos da crise climática.

Atualmente, o TFFF reúne cerca de US$ 6,8 bilhões em recursos provenientes de diferentes parceiros internacionais, entre eles Brasil, Indonésia, Alemanha, França, Luxemburgo, Países Baixos, Noruega e a Fundação Minderoo.

A meta do governo brasileiro é ampliar o patrimônio do fundo para US$ 25 bilhões, com potencial para mobilizar até US$ 125 bilhões em investimentos privados destinados à conservação ambiental em aproximadamente 70 países.

Segundo o diretor do Serviço Florestal Brasileiro, Garo Batmanian, a participação da Noruega fortaleceu a credibilidade do projeto e contribuiu para atrair novos investidores internacionais. Entre os países que avaliam aderir ao mecanismo está a China.

A cooperação bilateral também se destaca por meio do Fundo Amazônia. Entre 2009 e 2025, a Noruega destinou aproximadamente R$ 3,8 bilhões dos R$ 4,9 bilhões arrecadados pelo programa. O Reino Unido tornou-se recentemente o segundo maior doador, seguido pela Alemanha.

Administrado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, o Fundo Amazônia já apoiou mais de 650 projetos voltados ao combate ao desmatamento, restauração florestal, regularização fundiária, fortalecimento de comunidades tradicionais e indígenas, além de iniciativas de pesquisa e fiscalização ambiental.

Apesar do protagonismo no financiamento de políticas ambientais, a Noruega também enfrenta críticas por figurar entre os maiores exportadores mundiais de petróleo e gás natural.

Organizações ambientalistas apontam essa contradição, mas reconhecem a relevância da contribuição norueguesa para iniciativas internacionais de conservação da biodiversidade.

Para o vice-presidente da Conservação Internacional Brasil, Maurício Bianco, a proteção das florestas depende da cooperação entre diferentes países. Ele destaca que a natureza ainda recebe uma parcela reduzida do financiamento climático global, embora represente uma das principais ferramentas para conter os efeitos das mudanças climáticas.

O Greenpeace Brasil também defende que a preservação e a recuperação das florestas tropicais são fundamentais para limitar o aumento da temperatura média global a 1,5°C, preservar a biodiversidade e garantir melhores condições ambientais para as futuras gerações.

Enquanto disputam uma vaga nas quartas de final da Copa do Mundo, Brasil e Noruega mantêm uma parceria estratégica fora dos gramados, unindo esforços em iniciativas voltadas à conservação das florestas tropicais e ao enfrentamento da crise climática global.

*Da Agência Fonte Exclusiva

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