O presidente da China, Xi Jinping, lançou nesta segunda-feira (1) a Iniciativa de Governança Global (IGG), um possível novo modelo de gestão internacional que desafia a hegemonia ocidental. A proposta foi apresentada durante a 24ª cúpula da Organização para Cooperação de Xangai (OCX), realizada em Tianjin, com a presença de 20 líderes de países não ocidentais, incluindo o presidente da Rússia, Vladimir Putin, e o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi.
Segundo Xi, o mundo vive uma nova fase de “turbulência e transformação” e precisa de um sistema de governança que supere o “hegemonismo, a mentalidade da Guerra Fria e o protecionismo”, os quais, segundo ele, continuam a “assombrar o mundo” mesmo oito décadas após o fim da Segunda Guerra Mundial.
Cinco princípios da nova governança global
Durante o discurso, Xi apresentou os cinco pilares que sustentam a proposta chinesa:
- Igualdade soberana entre os Estados
- Respeito ao direito internacional
- Prática do multilateralismo
- Abordagem centrada nas pessoas
- Adoção de medidas concretas e colaborativas
“Todos os países, independentemente de seu tamanho ou poder, devem ser participantes, tomadores de decisão e beneficiários iguais da governança global”, defendeu o líder chinês.
Contexto geopolítico e resposta ao Ocidente
A proposta surge em meio à guerra comercial impulsionada pelos Estados Unidos — incluindo tarifas de 50% sobre produtos indianos — e uma série de medidas unilaterais que, segundo Xi, agravam a instabilidade global. O presidente da China destacou a importância do multilateralismo e criticou abertamente ações unilaterais sem consulta a outros países.
“Devemos derrubar muros, não erguê-los”, afirmou, defendendo mais integração econômica por meio da Iniciativa do Cinturão e Rota da Seda, projeto que tem sido alvo de resistência por parte dos EUA.
Ajuda financeira e fortalecimento da OCX
Xi Jinping também anunciou US$ 280 milhões em ajuda financeira para os países da OCX, além de um empréstimo de 10 bilhões de yuans aos bancos da organização. O objetivo é fomentar projetos de cooperação em áreas como inteligência artificial, energia verde e combate ao narcotráfico.
A OCX foi criada em 2001 e reúne atualmente 10 países-membros, além de 2 observadores e 15 parceiros de diálogo.
Apoio de Putin e Modi
O presidente russo, Vladimir Putin, elogiou a proposta e afirmou que a OCX pode liderar os esforços para “um sistema global mais justo”. Já o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, agradeceu à China pela organização do evento e classificou a reunião com Putin como “excelente”, destacando a continuidade da parceria estratégica entre Índia e Rússia.
Esta foi a primeira visita oficial de Modi à China em sete anos, sinalizando uma reaproximação entre os dois gigantes asiáticos, cuja relação tem sido marcada por tensões regionais e disputas fronteiriças.
China e Índia: relações em retomada
Segundo o Ministério das Relações Exteriores da China, as relações bilaterais com a Índia estão em uma “trajetória positiva”, com estabilidade nas regiões de fronteira e iminente retomada dos voos diretos entre os dois países.
“Índia e China são parceiras, não rivais. Nosso consenso supera em muito nossas divergências”, afirmou a diplomacia chinesa.
A cúpula acontece às vésperas das comemorações do 80º aniversário da vitória chinesa na Guerra de Resistência contra a ocupação japonesa, evento que deve reunir cerca de 50 líderes internacionais no desfile militar da próxima quarta-feira (3).
Da Agência Fonte Exclusiva.
