X acusa China de usar spam pornográfico para ocultar agitação política

Chefe de produto da plataforma afirma que campanhas de bots sabotam buscas em chinês durante protestos

Executivo do X acusa governo chinês de usar spam pornográfico em massa para esconder conteúdos políticos durante períodos de agitação.

Reprodução | thenationalpulse.com

O X acusou o governo da China de empregar campanhas de spam pornográfico em larga escala para dificultar o acesso a informações políticas em tempo real na plataforma. A acusação foi feita por Nikita Bier, que afirmou que a prática ocorre especialmente em períodos de agitação política.

Segundo Bier, os resultados de buscas em chinês são deliberadamente inundados com conteúdos explícitos sempre que há protestos ou eventos sensíveis, com o objetivo de impedir que usuários encontrem informações relevantes. Ele afirmou que o problema é antigo, complexo e está sendo enfrentado pela equipe da plataforma.

Um exército de bots

De acordo com o executivo, as campanhas utilizariam um contingente estimado entre 5 e 10 milhões de contas, criadas antes de o X adotar regras mais rígidas de registro. Essas contas automatizadas passam a publicar pornografia, anúncios de acompanhantes e links de jogos de azar associados a palavras-chave políticas e nomes de cidades chinesas, enterrando publicações legítimas sobre protestos e mobilizações sociais.

Embora o X esteja oficialmente bloqueado na China continental desde 2009, milhões de usuários acessam a plataforma por meio de redes privadas virtuais. Para ativistas e dissidentes, o serviço se tornou um dos poucos canais para compartilhar informações fora do alcance da censura estatal, que domina plataformas locais.

Histórico de episódios semelhantes

Pesquisadores já haviam identificado padrões parecidos em episódios anteriores. Em 2022, durante os protestos da chamada “Folha em Branco” contra as restrições da COVID-19, contas suspeitas inundaram o então Twitter com conteúdo explícito, dificultando a circulação de informações. Na época, analistas apontaram falhas da plataforma em conter interferências coordenadas.

Estudos do Atlantic Council, por meio do Digital Forensic Research Lab, também documentaram atividades semelhantes em 2024. Embora alguns pesquisadores tenham avaliado que parte do spam poderia ter origem comercial, os episódios coincidiram com momentos politicamente sensíveis, levantando dúvidas sobre possível coordenação estatal.

Aumento da insatisfação interna

As denúncias surgem em um contexto de crescimento do descontentamento social na China. Dados do China Dissent Monitor apontam mais de 5 mil incidentes de protesto registrados ao longo de 2025, um aumento significativo em relação ao ano anterior. Questões econômicas, disputas trabalhistas, desapropriações de terras e denúncias de fraudes financeiras estão entre os principais motivos das mobilizações.

Até o momento, o governo chinês não comentou publicamente as declarações de Bier. Pequim nega envolvimento em campanhas de manipulação de redes sociais estrangeiras, ao mesmo tempo em que mantém rígidos mecanismos de controle sobre a internet doméstica.

*Da Agência Fonte Exclusiva

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