O presidente Donald Trump afirmou nesta terça-feira (21) que tem a palavra final sobre um pedido de indenização de aproximadamente US$ 230 milhões que apresentou contra o próprio governo dos Estados Unidos. O valor, segundo ele, seria referente aos custos das investigações conduzidas pelo FBI e pelo Departamento de Justiça (DoJ) durante e após o seu primeiro mandato.
Em conversa com jornalistas na Casa Branca, Trump declarou que o governo “lhe deve muito dinheiro” e que qualquer decisão sobre o pagamento “teria que passar por sua mesa”. “É interessante, porque sou eu quem toma a decisão, certo?”, afirmou, em tom irônico.
Os pedidos de compensação estão relacionados a duas apurações específicas: a busca do FBI em Mar-a-Lago, que resultou em acusações de armazenamento indevido de documentos sigilosos, e a investigação sobre interferência russa nas eleições de 2016, que assombrou os primeiros anos de sua presidência.
Trump apresentou os pedidos com base na Lei Federal de Reivindicações por Agravos (Federal Tort Claims Act), legislação de 1946 que permite a cidadãos buscar indenização por danos causados por ações de agentes públicos. No entanto, especialistas apontam que o estatuto exclui casos de natureza política ou discricionária, o que tornaria o pleito do presidente juridicamente insustentável.
O presidente chegou a ironizar a situação, dizendo que “processaria a si mesmo”. “Vou dizer: ‘Me deem X dólares’. E depois não sei o que fazer com o processo”, brincou. Em seguida, sugeriu que poderia doar o valor ou usá-lo para “construir um salão de baile na Casa Branca”.
A condução do caso gera preocupação entre analistas, já que aliados de Trump ocupam cargos-chave no Departamento de Justiça — entre eles, Todd Blanche e Stanley Woodward, ex-advogados de defesa do presidente e agora procuradores-gerais adjuntos.
Segundo a agência Associated Press, Trump apresentou o pedido formal em agosto de 2024, alegando “perseguição política” e prejuízo financeiro causado pelas investigações. O procurador especial Jack Smith retirou as acusações relacionadas a Mar-a-Lago em novembro, citando a política do DoJ que impede indiciamentos contra presidentes em exercício.
Questionado sobre o andamento do processo, Trump afirmou desconhecer detalhes. “Tudo o que sei é que eles me devem muito dinheiro”, disse.
Em resposta, o porta-voz do Departamento de Justiça, Chad Gilmartin, declarou que todos os servidores envolvidos “seguem rigorosamente as orientações éticas de carreira”, sugerindo que o caso será tratado dentro dos limites legais.
*Da Agência Fonte Exclusiva.
