A possibilidade de uma nova escalada de violência no Iêmen levou a Rússia a defender a retomada das negociações políticas para conter a crise. Durante uma reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas, nesta sexta-feira (9), o representante permanente russo na organização, Vassily Nebenzia, afirmou que o país atravessa um período especialmente delicado e alertou para o risco de agravamento do conflito.
Segundo o diplomata, a deterioração da situação exige esforços diplomáticos para evitar que os confrontos provoquem consequências ainda mais graves dentro do Iêmen e em outros países do Oriente Médio.
“A situação no Iêmen está verdadeiramente à beira do desastre”, declarou Nebenzia durante o encontro.
Rússia alerta para impactos regionais
Além da violência no território iemenita, Moscou demonstrou preocupação com possíveis consequências para os países vizinhos e para a segurança das rotas marítimas. Entre os pontos mencionados pelo representante russo estão os ataques contra instalações na Arábia Saudita e os riscos para a navegação comercial.
A região do Mar Vermelho e o estreito de Bab el-Mandeb têm importância estratégica para o comércio mundial, pois integram rotas utilizadas no transporte de mercadorias e energia entre diferentes continentes.
Uma intensificação dos ataques nessas áreas pode comprometer a circulação de navios, elevar os custos do transporte marítimo e provocar impactos econômicos que ultrapassem os países diretamente envolvidos no conflito.
Na avaliação apresentada por Nebenzia, a ampliação das operações militares não oferece uma solução duradoura e pode aprofundar a instabilidade regional.
“Deve ficar claro para todos que, a longo prazo, não existe alternativa às negociações”, afirmou o diplomata, ao defender uma saída política para a crise.
Moscou defende diálogo com participação da ONU
Durante a reunião, a Rússia pediu a retomada das conversas entre as diferentes forças políticas do Iêmen, com apoio das Nações Unidas. A proposta busca reduzir os confrontos e criar condições para um entendimento que permita avançar em direção à estabilidade.
Nebenzia também defendeu a interrupção dos ataques contra infraestruturas civis, incluindo aeroportos. A preservação dessas instalações é importante para manter serviços essenciais, facilitar o deslocamento de pessoas e permitir o transporte de suprimentos e ajuda humanitária.
A posição russa reforça a defesa de uma solução negociada, em vez da continuidade de uma estratégia baseada exclusivamente na força militar.
Situação humanitária continua sendo motivo de preocupação
A crise no Iêmen também preocupa pela situação da população civil. Anos de conflito contribuíram para o deslocamento de pessoas, a fragilização dos serviços básicos e o aumento das necessidades de assistência humanitária.
A continuidade dos combates pode dificultar o acesso a alimentos, medicamentos e outros recursos essenciais, especialmente em áreas mais vulneráveis. Ataques a infraestruturas e restrições à circulação também podem comprometer a chegada de equipes e suprimentos de emergência.
Durante seu pronunciamento, Nebenzia reafirmou o apoio russo à soberania e à integridade territorial do Iêmen, defendendo uma solução que preserve a unidade do país.
A manifestação ocorre em meio aos esforços diplomáticos para conter a violência e evitar que a crise produza consequências ainda mais amplas para o Oriente Médio. Para Moscou, a retomada das negociações e a proteção dos civis são elementos centrais para buscar uma saída duradoura.
*Da Agência Fonte Exclusiva.
