Milhares de trabalhadores e representantes de organizações sindicais da Argentina tomaram as ruas de Buenos Aires nesta quinta-feira (18) em uma grande marcha convocada pela Confederação Geral do Trabalho (CGT). O ato foi realizado no mesmo dia em que o Senado discutia o projeto de reforma trabalhista apresentado pelo governo de Javier Milei, considerado pelos sindicatos como um ataque direto aos direitos dos trabalhadores.
Desde as primeiras horas da manhã, colunas de manifestantes caminharam em direção à Praça de Maio, em frente à Casa Rosada, enquanto forças de segurança reforçavam o policiamento para impedir o bloqueio total de avenidas importantes, como a 9 de Julio.
O correspondente da RT na Argentina, Ricardo Romero, registrou depoimentos de participantes.
“Não é que sejamos contra uma reforma trabalhista. Queremos uma reforma justa e soberana, para o povo”, disse um aposentado que participa todas as quartas-feiras de atos por aumento das aposentadorias. Outro manifestante classificou o projeto como um “desastre”, afirmando que ele retira benefícios históricos e convocando a população a se mobilizar.
LA REFORMA LABORAL NO SE TRATA EN DICIEMBRE
Después de una masiva movilización en Plaza de Mayo y todo el país, y de una derrota ayer en el Congreso Bullrich anunció que el debate de la reforma laboral pasa a febrero.
No nos han vencido, vamos a frenar la reforma esclavista de… pic.twitter.com/S7AuItGr7s
— Argentina Humana (@arg_humana) December 18, 2025
A CGT denunciou ainda que ônibus com manifestantes foram retidos pela Gendarmaria Nacional, o que classificou como tentativa de dificultar o direito de protesto.
No ato central, dirigentes sindicais afirmaram que a reforma busca “retirar direitos” e alertaram para a possibilidade de uma greve nacional caso não haja negociação. Eles destacaram a defesa da negociação coletiva e o combate à precarização trabalhista.
Disputa política
A proposta em debate prevê mudanças na jornada, regras de demissão e direitos coletivos, e chegou a ser adiada formalmente para fevereiro de 2026, segundo confirmação da senadora Patricia Bullrich. Ainda assim, o governo tenta avançar em acordos com setores da oposição para tentar aprovar a reforma antes do fim do ano legislativo.
Críticos afirmam que o texto favorece empresários e compromete direitos conquistados ao longo de décadas. Já o governo sustenta que a reforma moderniza uma legislação da década de 1970 e é necessária para incentivar a criação de empregos em meio a transformações tecnológicas.
*Da Agência Fonte Exclusiva
