ONU alerta que mundo precisa acelerar combate ao aquecimento global

Relatório aponta necessidade de cortes expressivos nas emissões até 2040 para reduzir os riscos de eventos climáticos extremos e limitar o aumento da temperatura do planeta.

Relatório da ONU alerta que emissões globais precisam cair 69% até 2040. Sem medidas mais fortes, aquecimento pode chegar a 2,8 °C neste século.

Imagem: Reprodução/Ralf Vetterle/Pixabay

As decisões tomadas pelos governos nos próximos anos poderão determinar a intensidade das mudanças climáticas enfrentadas pelas futuras gerações.

Um novo relatório das Nações Unidas alerta que o planeta continua em uma trajetória de aquecimento preocupante e que os compromissos ambientais anunciados até agora não são suficientes para conter o problema.

O documento, divulgado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), apresenta cenários para as próximas décadas e defende uma transformação acelerada na produção de energia, na indústria e nas políticas de redução de gases de efeito estufa.

Intitulado O Ponto de Retorno, o Relatório sobre a Lacuna de Emissões 2026 indica que o mundo ainda dispõe de alternativas para reduzir os impactos da crise climática, mas precisará agir com maior rapidez.

Emissões precisam cair até 69% em 2040

De acordo com o estudo, as emissões globais de gases de efeito estufa deverão sofrer reduções significativas em relação aos níveis de 2025.

As metas apontadas são:

Para atingir esses objetivos, as emissões precisariam diminuir, em média, 5,7% ao ano entre 2025 e 2035.

O ritmo exigido é superior ao previsto nas políticas atualmente adotadas por grande parte dos países.

As metas nacionais são apresentadas por meio das Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs), compromissos estabelecidos pelos governos no âmbito do Acordo de Paris.

Segundo o relatório, os esforços anunciados ainda estão distantes do necessário para controlar o aquecimento global.

Temperatura pode aumentar 2,8 °C neste século

O Pnuma alerta que, caso a trajetória atual seja mantida, a temperatura média do planeta poderá subir aproximadamente 2,8 °C acima dos níveis pré-industriais até o fim do século.

Mesmo com o cumprimento dos compromissos climáticos apresentados pelos países e medidas adicionais de neutralização das emissões, o aquecimento poderia alcançar 2,1 °C.

O estudo considera que reduções mais profundas poderiam limitar temporariamente o aumento da temperatura a uma faixa entre 1,7 °C e 1,8 °C, com possibilidade de retorno a 1,5 °C até 2100.

Entretanto, esse cenário depende da implementação de políticas mais rigorosas e de transformações estruturais em diferentes setores da economia.

Eventos extremos e derretimento de geleiras preocupam

O aumento da temperatura global pode intensificar problemas ambientais já observados em diferentes regiões do mundo.

Entre os principais riscos estão ondas de calor mais frequentes, incêndios florestais, elevação do nível do mar e perda de biodiversidade.

Os recifes de coral estão entre os ecossistemas mais vulneráveis ao aquecimento dos oceanos.

Outra preocupação envolve o derretimento das geleiras e das calotas polares, que fazem parte da criosfera, conjunto de regiões da Terra onde a água permanece congelada.

O relatório apresenta cenários em que a perda de gelo pode contribuir para uma elevação do nível do mar de até 12,5 centímetros.

A redução das geleiras também ameaça o abastecimento de água em regiões que dependem do degelo para alimentar rios, reservatórios e sistemas agrícolas.

Alguns desses efeitos podem persistir durante décadas ou séculos, mesmo que a temperatura média global volte a diminuir.

Políticas climáticas já demonstram resultados

Apesar das projeções preocupantes, o relatório também identifica experiências que conseguiram reduzir as emissões de gases de efeito estufa.

Os pesquisadores analisaram mais de 220 avaliações de políticas públicas implementadas em diferentes países.

No setor elétrico, as iniciativas estudadas apresentaram redução média de aproximadamente 9% nas emissões.

Mecanismos como a cobrança pela emissão de carbono e os sistemas de comércio de emissões também demonstraram resultados, com reduções estimadas entre 5% e 13%.

Para os especialistas, esses exemplos indicam que políticas ambientais podem produzir efeitos mensuráveis quando são implementadas e acompanhadas adequadamente.

O desafio está em ampliar as iniciativas para diferentes países e setores econômicos.

ONU pede medidas imediatas

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, defende que uma eventual ultrapassagem temporária do limite de 1,5 °C não deve ser interpretada como motivo para abandonar as metas climáticas.

Segundo ele, o objetivo deve ser reduzir a intensidade e a duração do aquecimento, evitando consequências ainda mais graves.

A diretora executiva do Pnuma, Inger Andersen, também destaca que políticas já adotadas em diferentes regiões demonstram a possibilidade de diminuir as emissões.

O relatório conclui que a próxima década será decisiva para limitar os danos ambientais e reduzir os riscos associados às mudanças climáticas.

*Da Agência Fonte Exclusiva

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