Nigéria manifesta intenção de se tornar membro pleno do BRICS nos próximos anos

Ministro das Relações Exteriores afirma que adesão definitiva ao bloco é estratégica para impulsionar o crescimento econômico e fortalecer a classe média do país.

A Nigéria anunciou interesse em ingressar como membro pleno do BRICS. O chanceler Yousef Tuggar afirmou no Fórum de Doha que a adesão fortaleceria o desenvolvimento econômico e consolidaria a classe média nigeriana.

Imagem: Reprodução/ Agência RT

A Nigéria sinalizou neste sábado (6) que pretende avançar rumo à condição de membro pleno do BRICS. A declaração foi feita pelo ministro das Relações Exteriores do país, Yousef Tuggar, durante o Fórum de Doha. Segundo ele, uma integração mais profunda ao grupo é fundamental para acelerar o crescimento econômico e ampliar a consolidação da classe média nigeriana.

“Estamos acelerando a transformação de nossa sociedade rumo à consolidação de uma classe média. Há muito a aprender com o BRICS e, como maior economia da região, reconhecemos a importância de manter relações orientadas por nossos interesses”, afirmou Tuggar, segundo o portal Vzgliad.

A Nigéria atua desde janeiro de 2025 como país parceiro do BRICS, ao lado de Belarus, Bolívia, Cazaquistão, Cuba, Malásia, Tailândia, Uganda e Uzbequistão. Esse status permite participação em fóruns, encontros e iniciativas de cooperação, especialmente nas áreas de comércio, investimentos e política externa. Tornar-se membro pleno daria a Abuja mais peso nas decisões do bloco e acesso ampliado a instrumentos como o Novo Banco de Desenvolvimento (NDB) e ao mecanismo de reservas de moedas.

BRICS: composição e papel global

O bloco é formado atualmente por 11 membros: África do Sul, Brasil, China, Índia e Rússia — países fundadores — além de Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irã, incorporados após a expansão aprovada na Cúpula de Joanesburgo, em 2023.

O BRICS atua como uma plataforma de articulação do Sul Global, com foco em cooperação econômica, diplomática e financeira. Entre os objetivos centrais estão ampliar a influência dos países emergentes na governança internacional e fortalecer a representatividade em instituições multilaterais como ONU, FMI, Banco Mundial e OMC, ao mesmo tempo em que promove desenvolvimento sustentável e inclusão social.

Origem e expansão do bloco

O termo BRIC surgiu em 2001, criado por um economista do Goldman Sachs ao destacar o dinamismo econômico de Brasil, Rússia, Índia e China. O diálogo formal começou em 2006, com reuniões ministeriais, e ganhou maior peso em 2009, na primeira cúpula de chefes de Estado, realizada em Ecaterimburgo, na Rússia.

A entrada da África do Sul, em 2011, transformou o grupo em BRICS. Desde então, sua atuação evoluiu com base em três pilares: política e segurança; economia e finanças; e intercâmbio social e cultural (pilar P2P – people-to-people). A presidência é rotativa e o bloco mantém estrutura informal, privilegiando decisões por consenso.

A expansão mais recente, concluída entre 2024 e 2025, consolidou o BRICS como um dos principais fóruns de diálogo e cooperação do Sul Global.

Países parceiros e o avanço nigeriano

Na Cúpula de Kazan, em 2024, os líderes criaram a categoria de país parceiro, voltada a nações que buscam maior aproximação sem integração completa. Além dos nove parceiros já existentes, o Vietnã juntou-se ao grupo recentemente, conforme anúncio feito pelo Brasil, que ocupa a presidência pro tempore.

Com quase 100 milhões de habitantes e forte integração às cadeias globais de valor, o Vietnã reforça o perfil de países que buscam uma ordem internacional mais equilibrada e promovem cooperação Sul-Sul — princípios compartilhados pela Nigéria em sua intenção de aprofundar sua participação no BRICS.

*Da Agência Fonte Exclusiva

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