Dois novos relatórios internacionais alertam que o mundo ainda caminha para um aumento catastrófico de 2,6°C na temperatura média global até o fim do século. A conclusão é que os países não estão adotando compromissos climáticos suficientemente ambiciosos, enquanto as emissões de combustíveis fósseis seguem em níveis recordes.
Os estudos — um do Climate Action Tracker e outro do Global Carbon Project (GCP) — mostram que, apesar das promessas e dos planos atualizados apresentados na COP30, realizada no Brasil, o avanço é insuficiente para conter o aquecimento global.
O Climate Action Tracker projeta que, se nada mudar, o planeta deve aquecer 2,6°C acima dos níveis pré-industriais, ultrapassando o limite de 1,5°C fixado pelo Acordo de Paris. O cenário, segundo especialistas, provocará uma nova era de eventos climáticos extremos, perdas agrícolas, secas severas e aumento do nível do mar.
Emissões recordes e sumidouros enfraquecidos
O relatório do GCP aponta que as emissões de carvão, petróleo e gás cresceram cerca de 1% em 2025, alcançando o maior patamar já registrado. Embora o ritmo de crescimento tenha desacelerado, o avanço das energias renováveis ainda não é suficiente para suprir a demanda global de energia.
Os cientistas também observaram um enfraquecimento dos sumidouros naturais de carbono, como as florestas tropicais da América do Sul e do Sudeste Asiático, que deixaram de absorver CO₂ e passaram a emiti-lo, agravando o aquecimento global.
“Um mundo com 2,6°C significa desastre global”, alertou Bill Hare, CEO da Climate Analytics. “Isso pode causar o colapso da circulação do Atlântico, a perda de recifes de corais e a transformação da Amazônia em savana.”
Políticas ainda insuficientes
De acordo com o relatório, apenas 100 países apresentaram novos compromissos climáticos, e os cortes previstos nas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) são muito menores do que o necessário.
Com base nos planos atuais e nas metas de emissões líquidas zero, o aquecimento deve atingir 2,2°C até o final do século, agravado pela política de expansão de petróleo e gás dos Estados Unidos, sob o governo Trump.
Apesar disso, o avanço das energias limpas e a redução do uso do carvão evitaram que o mundo seguisse rumo a um aumento de 3,6°C, como era previsto antes do Acordo de Paris.
Chamado à ação
Durante a conferência, o grupo de países do G77 + China, que representa 80% da população mundial, manifestou apoio à transição justa para o abandono dos combustíveis fósseis. O Brasil também lançou um fundo internacional de combate ao desmatamento, mas sem adesão de países como Reino Unido e Austrália.
O ex-vice-presidente dos EUA, Al Gore, classificou a situação como “literalmente insana”.
“Estamos usando o céu como um esgoto a céu aberto. Se deixarmos isso continuar, algumas coisas serão impossíveis de remediar”, afirmou.
A professora Corinne Le Quéré, da Universidade de East Anglia, reforçou que as políticas climáticas estão funcionando, mas ainda em ritmo insuficiente.
“Há países que já têm economias em crescimento e emissões em queda. Isso mostra que é possível inverter o curso, mas o tempo está se esgotando”, concluiu.
*Da Agência Fonte Exclusiva.
