Morte de Natacha Rey reacende caso envolvendo Brigitte Macron

Francesa que se apresentava como jornalista independente ganhou notoriedade ao divulgar alegações sem comprovação sobre a primeira-dama da França e esteve envolvida em disputa judicial.

Morte de Natacha Rey, francesa que difundiu alegações falsas sobre Brigitte Macron, é anunciada na França e reacende debate sobre desinformação e processos por difamação.

Imagem: Reprodução/ Gettyimages.ru / Mustafa Yalcin / Anadolu / Redes sociais/ Via RT

A morte de Natacha Rey, francesa que ganhou projeção nas redes sociais ao divulgar alegações falsas sobre a identidade da primeira-dama Brigitte Macron, foi anunciada nesta sexta-feira (18).

Segundo Xavier Poussard, Rey morreu em 13 de setembro, em Saintes, no departamento de Charente-Maritime, após enfrentar um câncer. O sepultamento foi anunciado para esta sexta-feira. A informação também foi registrada pelo observatório francês Conspiracy Watch.

Rey se apresentava como jornalista independente e ficou conhecida a partir de 2021, quando passou a sustentar que Brigitte Macron teria nascido homem e utilizado anteriormente o nome Jean-Michel Trogneux.

A alegação não é respaldada por evidências. Jean-Michel Trogneux é, na realidade, irmão de Brigitte Macron. Agências internacionais como Reuters e Associated Press classificam a narrativa como falsa.

Teoria ganhou repercussão internacional

Depois de circular intensamente nas redes sociais francesas, a história ultrapassou as fronteiras do país e ganhou espaço nos Estados Unidos.

A comentarista americana Candace Owens passou a divulgar as mesmas alegações em vídeos, publicações nas redes sociais e em uma série dedicada ao assunto.

Após a divulgação da morte de Rey, Owens publicou uma mensagem de condolências e voltou a fazer referência às acusações envolvendo a primeira-dama francesa.

Caso chegou aos tribunais franceses

As afirmações de Rey também resultaram em uma batalha judicial.

Brigitte Macron e o irmão, Jean-Michel Trogneux, processaram Natacha Rey e Amandine Roy por difamação. Em setembro de 2024, as duas foram condenadas em primeira instância na França.

A decisão, entretanto, foi revertida pela Corte de Apelação de Paris em julho de 2025, que absolveu as acusadas.

A absolvição não representou reconhecimento judicial de que a alegação sobre Brigitte Macron fosse verdadeira. A decisão tratou dos requisitos jurídicos necessários para a caracterização do crime de difamação e de aspectos relacionados à liberdade de expressão e à boa-fé das acusadas.

Brigitte Macron e Jean-Michel Trogneux recorreram posteriormente à Corte de Cassação, instância máxima da Justiça francesa para esse tipo de processo.

Macrons também processam Candace Owens

A controvérsia chegou à Justiça dos Estados Unidos em julho de 2025.

Emmanuel Macron e Brigitte Macron apresentaram uma ação por difamação contra Candace Owens no estado de Delaware. O processo acusa a comentarista de promover reiteradamente informações falsas sobre a primeira-dama e de ampliar internacionalmente a teoria conspiratória.

Owens contesta as acusações e mantém publicamente suas declarações.

Em junho de 2026, a Reuters informou que o processo dos Macrons contra a comentarista continuava em andamento nos Estados Unidos.

Desinformação ganhou alcance mundial

O caso envolvendo Brigitte Macron tornou-se um exemplo da velocidade com que teorias conspiratórias podem atravessar fronteiras e ganhar novas audiências por meio das plataformas digitais.

Em janeiro de 2026, dez pessoas foram condenadas na França por assédio virtual contra a primeira-dama em um processo que envolvia, entre outras publicações, a disseminação das falsas alegações sobre sua identidade.

A morte de Natacha Rey volta a colocar o episódio em evidência quase cinco anos depois de a história começar a circular com força na internet.

Além da disputa sobre difamação, o caso permanece ligado a um debate mais amplo sobre desinformação, reputação, liberdade de expressão e responsabilidade pela divulgação de acusações sem comprovação nas redes sociais.

*Da Agência Fonte Exclusiva

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