Manifestantes queimam bandeiras dos EUA e de Israel durante protesto na Venezuela

Parlamentares e militantes chavistas também participaram do ato em defesa da soberania venezuelana

Ato na Praça Bolívar criticou a participação estrangeira na reconstrução após os terremotos de junho.

Imagem | Reprodução/Redes Sociais

Organizações políticas e movimentos populares realizaram um protesto na Praça Bolívar, em Caracas, contra a presença e a influência dos Estados Unidos e de Israel na Venezuela.

O ato ocorreu em 24 de julho, durante as celebrações pelo nascimento de Simón Bolívar. Manifestantes queimaram bandeiras dos Estados Unidos e de Israel e entoaram palavras de ordem contra os presidentes Donald Trump e Benjamin Netanyahu.

A mobilização foi organizada após a chegada de uma missão técnica israelense encarregada de colaborar com avaliações e ações de reconstrução nas áreas atingidas pelos dois terremotos de 24 de junho.

Os tremores, de magnitudes 7,2 e 7,5, atingiram regiões próximas a Caracas e provocaram destruição principalmente no estado costeiro de La Guaira. O número de mortos havia ultrapassado 5 mil em julho, segundo dados divulgados pelo governo venezuelano.

Críticas à presença estrangeira

Os participantes do ato afirmaram que a assistência internacional estaria sendo utilizada para ampliar a influência política dos Estados Unidos e de Israel sobre a Venezuela.

Essas acusações representam a posição dos organizadores da manifestação. Não foram apresentadas, durante o protesto, provas de que a missão técnica israelense tivesse objetivos diferentes dos trabalhos de avaliação e reconstrução anunciados.

Rafael Uzcátegui, dirigente do partido Pátria Para Todos, declarou que a mobilização demonstrava a resistência de setores políticos venezuelanos ao que classificou como interferência estrangeira.

A ativista Hindu Anderi, integrante da Plataforma Internacional de Solidariedade com a Causa Palestina, também criticou a reaproximação com Israel. Segundo ela, o movimento representa um retrocesso na política histórica de apoio venezuelano aos palestinos.

A Venezuela rompeu relações diplomáticas com Israel em 2009, durante o governo de Hugo Chávez, em reação à ofensiva israelense na Faixa de Gaza.

Divisões dentro do chavismo

O ato também reuniu figuras ligadas ao chavismo que mantêm críticas à condução do governo interino de Delcy Rodríguez.

A deputada Íris Varela, do Partido Socialista Unido da Venezuela, afirmou que o apoio à causa palestina permanece como posição de setores do movimento político. Ela classificou a manifestação como uma defesa da soberania e da independência nacional.

O jornalista e apresentador Mario Silva acusou o governo interino de colaborar com o aumento da influência dos Estados Unidos. A declaração expressa a posição política do militante e não uma conclusão oficialmente comprovada.

A presença de nomes ligados ao chavismo evidencia divergências internas sobre a aproximação do governo com países que mantinham relações tensas com Caracas.

Missão israelense após os terremotos

A delegação israelense reuniu cerca de 30 especialistas responsáveis por avaliar edifícios danificados e auxiliar na elaboração de um plano de recuperação das áreas atingidas.

A missão encerrou as atividades presenciais após aproximadamente três semanas, mas a previsão era de continuidade do assessoramento técnico a distância, segundo a reportagem do Brasil de Fato.

Os organizadores do protesto argumentaram que a reconstrução deveria ser conduzida com maior participação das comunidades locais e sem comprometer a autonomia política do país.

Já o governo interino defende a cooperação internacional como parte dos esforços para reconstruir cidades afetadas pelos terremotos e atender milhares de pessoas que perderam suas casas.

*Da Agência Fonte Exclusiva

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