Mesmo com o tempo ruim no Porto na noite de ontem, manifestantes prestaram solidariedade aos brasileiros vítimas de agressão durante evento cultural na Casa Odara, localizada em uma das principais e boêmias ruas da cidade.
Sem espaço para todos no interior, dezenas permaneceram na rua onde aconteceram as agressões ao cabeleireiro John Kennedy e à curadora de arte Maria Gabriela, a Gabi, que receberam aplausos.
Cartazes de incentivo às vítimas e repúdio à xenofobia e violência contra imigrantes em Portugal se misturaram aos guarda-chuvas. O lema de resistência era: “Não vão nos parar”.
A música “Odara”, de Caetano Veloso, que inspirou o nome da casa, foi entoada pelos manifestantes. A mobilização pacífica seguiu aos gritos de “Não passarão!” e “Fascistas, fascistas, chegou a vossa hora. Os imigrantes ficam e vocês vão embora”.
Uma das sócias, Janaína Kruger agradeceu o apoio à Casa Odara, que pretende seguir como um dos principais centros de apoio aos brasileiros no Porto:
— Vários amigos vieram prestar solidariedade. Tem um guarda (policial) para garantir que nada de ruim aconteça e quem está a caminho pode vir. Muito obrigado a todos.
Mais cedo, Gabi e John foram à delegacia e fizeram exame de corpo de delito no Instituto Médico-Legal. O laudo será conhecido hoje. Ela pediu proteção à polícia.
Em grupos de redes sociais e de mensagens, brasileiros publicaram que os agressores, já identificados, poderiam ter conexões junto a um grupo de extrema direita de Portugal.
Uma das publicações diz: “O agressor é fichado por tráfico, assaltos, agressões. Ele e seu irmão são muito brutos e têm amizade com os membros do 1143”.
Mas segundo o advogado das vítimas, Diego Bove, não há provas do envolvimento dos agressores com o grupo ultranacionalista 1143. A investigação, ressaltou, está no início.
Esta organização radical de extrema direita tem como militante o neonazi português Mário Machado, condenado por crime de ódio contra mulheres de esquerda.
Como publicou o Portugal Giro nesta matéria, o grupo tem sido apontado como integrante da milícia que invadiu um apartamento e espancou imigrantes argelinos durante uma onda de ataques xenófobos no Porto.
Em uma manifestação na mesma cidade, o grupo defendeu o lema “menos imigração e mais habitação” como solução para o problema de moradia em Portugal.
No vídeo publicado pela coluna, um dos agressores no episódio da Casa Odara diz que os brasileiros confundem “democracia com liberdade” e disse que já estava por ali antes dos imigrantes chegarem.
Ele também questiona a representatividade do espaço, um centro cultural e de estética com funcionários e público brasileiros.
Machado, que tem tatuada a suástica no antebraço direito e costuma fazer a saudação nazista em público, negou a participação do grupo naquele ataque aos argelinos.
Questionada, a Polícia de Segurança Pública, que investiga a agressão na Casa Odara, não respondeu.
Da Agência Fonte Exclusiva, com informações do Blog Portugal Giro, do Jornal O GLOBO.
