Lima vive tensão após protestos da geração Z; governo anuncia estado de emergência

A morte de um manifestante e mais de cem feridos acenderam o alerta sobre a instabilidade política no Peru

Confrontos em Lima entre jovens e forças de segurança levaram o Peru a decretar estado de emergência.

Confrontos em Lima entre jovens e forças de segurança levaram o Peru a decretar estado de emergência. Foto: EFE

O governo do Peru decretou estado de emergência em Lima após uma série de protestos liderados por jovens, identificados como parte da geração Z, resultarem na morte de um manifestante e em mais de cem feridos. As manifestações, realizadas em diversas cidades, foram desencadeadas após a posse do presidente interino José Jerí, que assumiu o cargo depois do afastamento de Dina Boluarte.

De acordo com a Reuters e a Associated Press, os confrontos ocorreram entre manifestantes e forças policiais, que usaram gás lacrimogêneo e balas de borracha para conter os protestos. A vítima fatal foi identificada como Eduardo Mauricio Ruiz, de 32 anos, atingido por um disparo durante os confrontos na capital. O governo confirmou a prisão de um policial suspeito de envolvimento na morte e determinou a substituição do chefe da Polícia de Lima.

O primeiro-ministro Ernesto Álvarez anunciou o estado de emergência como resposta à escalada da violência. A medida suspende temporariamente direitos constitucionais, como o de reunião e de livre circulação, e autoriza a presença das Forças Armadas para apoiar a segurança pública.

As manifestações, marcadas por forte participação de jovens, têm denunciado a falta de legitimidade do novo governo e cobram novas eleições. Segundo a AP, os protestos se espalharam por outras cidades além de Lima, com relatos de barricadas, bloqueios e atos de vandalismo em prédios públicos.

Analistas apontam que a crise política peruana se agrava desde 2022, quando sucessivas trocas de presidentes geraram instabilidade e desconfiança nas instituições. José Jerí, que assumiu interinamente após a saída de Dina Boluarte, enfrenta resistência popular e um Congresso fragmentado, dificultando a governabilidade.

Organizações de direitos humanos pedem uma investigação independente sobre o uso da força policial e alertam para o risco de escalada de violência. Enquanto isso, o governo afirma que a prioridade é “restaurar a ordem e garantir a segurança dos cidadãos”.

*Da Agência Fonte Exclusiva.

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