“João Fonseca pode chegar muito mais longe do que eu”, diz Gustavo Kuerten

entrevista gustavo kuerten

Gustavo Kuerten: parceria com a Lacoste, agora com relógios (Lu Prezia/Divulgação)

Gustavo Kuerten, o Guga, foi o melhor jogador brasileiro da era moderna do tênis. Entre outras conquistas, ele foi campeão três vezes de Roland Garros, venceu uma vez o Masters Cup e foi número um do mundo. Com tantas vitórias na currículo, ele acha que o jovem João Fonseca, de 18 anos, atual número 145 do mundo, pode chegar mais longe ainda.

Guga participou nesta semana do Watch Day no Brasil. O evento aconteceu em São Paulo e reuniu marcas importantes do portfólio do grupo Movado, incluindo Lacoste, BOSS Watches, Calvin Klein Watches, Tommy Hilfiger Watches, Olivia Burton London e a própria Movado. Guga falou com a EXAME Casual no dia do evento.

Como é sua parceria com a Lacoste?

A parceria com a Lacoste já existe há muito tempo na parte de vestuário, e há cerca de cinco anos se estendeu para relógios e acessórios. Temos uma conexão muito forte com a cultura e a filosofia da marca, que está alinhada com nossos sonhos. Isso explica a longevidade da parceria. Para mim, a Lacoste acabou se tornando uma extensão do meu dia a dia. Em qualquer evento, seja profissional ou pessoal, ela funciona muito bem. E é muito fácil ficar elegante com as roupas da marca (risos).

O Instituto Guga Kuerten completa 25 anos. Qual o alcance atual do projeto?

Estamos com cerca de 400 crianças e jovens que atendemos diretamente, incluindo pessoas com deficiência. Anualmente, nossos projetos pontuais atingem de 5 a 10 mil pessoas. Já atuamos em mais de 180 municípios de Santa Catarina. O instituto se tornou uma referência em trabalho social, trazendo inspiração, educação e oportunidades. Já impactamos diretamente mais de 100 mil pessoas ao longo desses anos.

Como você vê as mudanças no tênis atual em comparação com 20 anos atrás?

É um universo completamente diferente. A principal mudança está na inteligência e na capacidade de utilizar a informação disponível. Isso permitiu que as carreiras se estendessem de 10 para 20 anos. A medicina esportiva evoluiu muito, e hoje um jogador top viaja com uma equipe completa de profissionais. Antes, vivíamos mais do esforço e do treinamento intenso, o que trazia resultados a curto prazo, mas também levava a um desgaste imenso. Eles vão ser jogadores melhores, porém em termos de títulos eu não sei se eles terão tempo para ser tão vitoriosos.

A nova geração e os Big Three

Você diz em comparação aos Big Three?

É sempre complicado fazer comparações entre gerações, mas o tênis atual está em um nível impressionante. Sinner e Alcaraz têm mostrado um tênis de altíssima qualidade, com uma combinação de potência, velocidade e habilidade técnica que é realmente notável. Eles estão levando o jogo a novos patamares em alguns aspectos. No entanto, é importante lembrar que Federer, Nadal e Djokovic dominaram o esporte por quase duas décadas, algo sem precedentes. Eles não apenas ganharam um número incrível de títulos, mas também elevaram constantemente o nível do jogo e se adaptaram ao longo do tempo. O que podemos dizer é que Sinner e Alcaraz têm o potencial para formar uma rivalidade histórica. Eles já dividiram os quatro Grand Slams em 2024, o que é um feito notável. Mas ainda é cedo para compará-los diretamente com os Big Three. O que torna essa nova geração especialmente empolgante é que eles parecem estar construindo sobre o legado dos Big Three, incorporando elementos do jogo de cada um deles e adicionando suas próprias inovações. É um momento muito emocionante para o tênis, e será fascinante ver como essa história se desenrola nos próximos anos.

O que acha de João Fonseca, a nova promessa do tênis brasileiro?

O João é um menino que chama a atenção do mundo, não apenas do Brasil. Isso pode ser algo favorável a ele. Nossa história já está feita, e o João precisa construir a própria trajetória. Ele tem um potencial gigantesco e vem numa curva de crescimento impressionante. Seria lindo ter um brasileiro novamente com essas pretensões, como está acontecendo com a Bia Haddad Maia.

Você acredita que ele pode superar suas conquistas?

Tem total potencial para fazer muito mais história e chegar ainda mais longe. Claro que no esporte nada é garantido, mas o nível que o João está atingindo é comparável ao dos ícones mundiais. Isso é superpositivo. Tomara que seja assim, porque temos no tênis brasileiro hoje um momento bem mais saudável de conhecimento e capacidade. Quanto antes vier um novo ícone para nos ajudar a cultivar essas pretensões, melhor.

Como foi a experiência de participar da série sobre sua vida na Netflix?

Da Agência Fonte Exclusiva, com informações da EXAME.

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