Japão prepara teste em larga escala para extrair terras-raras do fundo do Pacífico

Operação prevista para fevereiro de 2027 será realizada perto da ilha de Minamitorishima e poderá abrir caminho para produção industrial até 2028.

Japão realizará em 2027 um teste de mineração submarina para extrair terras-raras a 6 mil metros de profundidade e reduzir a dependência de fornecedores externos.

Imagem: Ilustração/ Agência Fonte Exclusiva

O Japão avançará em seu plano para reduzir a dependência externa de minerais estratégicos com a realização de um novo teste de mineração submarina no Oceano Pacífico. A operação, prevista para fevereiro de 2027, terá como objetivo retirar em grande escala sedimentos ricos em terras-raras encontrados a milhares de metros de profundidade.

A iniciativa faz parte da estratégia do governo japonês de transformar a exploração desses recursos em uma atividade industrial até março de 2028. O cronograma foi divulgado na sexta-feira (24) e representa uma nova fase das pesquisas conduzidas pelo país em águas sob sua jurisdição.

O projeto é coordenado pela Agência Japonesa de Ciência e Tecnologia Marinha-Terrestre, a Jamstec. A instituição é responsável pelo desenvolvimento das tecnologias e pela avaliação das condições técnicas necessárias para extrair, transportar e processar o material encontrado no leito oceânico.

O planejamento ganhou impulso após uma experiência anterior confirmar que a coleta de lama com concentração de terras-raras é possível mesmo em regiões extremamente profundas.

Na primeira operação, os pesquisadores utilizaram um navio-plataforma semelhante aos empregados pela indústria de petróleo. O equipamento permitiu alcançar sedimentos localizados a aproximadamente 6 mil metros abaixo da superfície do mar.

A coleta ocorreu nas proximidades de Minamitorishima, ilha situada no extremo leste do território japonês. A região é considerada estratégica por abrigar depósitos submarinos com minerais importantes para setores industriais e tecnológicos.

Durante o procedimento, a lama retirada do fundo do oceano foi misturada com água para permitir a separação das partículas presentes no material. Após a retirada do líquido, a Jamstec calculou que cerca de 50 toneladas de sedimentos ricos em terras-raras haviam sido recuperadas.

Análises feitas posteriormente mostraram uma concentração relevante de elementos classificados como terras-raras médias e pesadas. Segundo a agência, esses componentes corresponderam a 54% do conteúdo avaliado.

Entre os elementos identificados estavam ítrio, gadolínio e disprósio. Esses minerais são empregados na produção de semicondutores, baterias, componentes eletrônicos e equipamentos voltados para a indústria de defesa.

A demanda por terras-raras cresceu com a expansão de áreas que dependem de materiais de alto desempenho. Os elementos são considerados fundamentais para cadeias produtivas ligadas à tecnologia, à eletrificação, ao armazenamento de energia e à fabricação de equipamentos especializados.

Dependência externa impulsiona projeto

O Japão possui poucas reservas terrestres desses minerais e depende de importações para abastecer suas indústrias. Essa situação torna o país vulnerável a interrupções no fornecimento, disputas comerciais e restrições impostas por grandes produtores internacionais.

Ao explorar recursos localizados em seu território marítimo, o governo pretende criar uma fonte doméstica de abastecimento e aumentar a segurança econômica do país.

O projeto, no entanto, envolve desafios que vão além da retirada da lama. Para alcançar uma operação industrial, será necessário estruturar todas as etapas da cadeia, incluindo coleta em profundidade, transporte até a superfície, armazenamento, processamento e separação dos diferentes elementos.

O teste programado para 2027 deverá avaliar se os equipamentos conseguem operar continuamente em condições de alta pressão. A operação também medirá a quantidade de sedimentos que poderá ser recolhida em um período prolongado.

Os pesquisadores pretendem verificar se o método possui capacidade para alcançar volumes compatíveis com uma futura produção comercial. Os resultados serão utilizados para definir os próximos investimentos e aperfeiçoar a tecnologia.

Minamitorishima seguirá como base principal

A nova etapa ocorrerá novamente nas proximidades de Minamitorishima, que deverá permanecer como principal área de desenvolvimento do programa japonês de mineração submarina.

A localização oferece ao Japão a possibilidade de explorar depósitos minerais dentro de sua zona marítima, reduzindo a necessidade de buscar reservas em territórios de outros países.

O teste será decisivo para determinar se o projeto poderá avançar da fase experimental para uma operação regular. O objetivo anunciado é iniciar a industrialização da atividade até março de 2028.

Caso a viabilidade técnica e econômica seja confirmada, as terras-raras extraídas do Pacífico poderão integrar parte da cadeia de fornecimento nacional.

O volume disponível e a capacidade de processamento ainda precisarão ser avaliados antes que o governo determine quanto da demanda interna poderá ser atendido pelos depósitos submarinos.

Estratégia de segurança econômica

A exploração no fundo do oceano faz parte de uma política mais ampla de diversificação das fontes de matérias-primas. O Japão busca reduzir os riscos associados à concentração da produção global de terras-raras em poucos países.

Esses minerais possuem importância estratégica porque são usados em setores considerados essenciais para o desenvolvimento tecnológico e para a segurança nacional.

A produção doméstica poderia diminuir a exposição das empresas japonesas a oscilações de preços, sanções comerciais ou interrupções logísticas.

O projeto também demonstra a aposta do país em soluções tecnológicas para compensar a escassez de reservas em terra firme. Em vez de depender exclusivamente de contratos internacionais, o Japão pretende aproveitar recursos disponíveis em áreas profundas do Pacífico.

Apesar das expectativas, a operação exigirá equipamentos especializados capazes de resistir à pressão extrema e funcionar com precisão a cerca de 6 mil metros de profundidade.

Os dados obtidos em fevereiro de 2027 indicarão se a extração pode alcançar escala suficiente para justificar a implantação de uma estrutura comercial.

Se o resultado for positivo, a mineração submarina poderá se tornar um componente relevante da política industrial japonesa. O avanço também poderá fortalecer a produção de baterias, semicondutores e outros equipamentos que dependem do fornecimento regular de minerais estratégicos.

*Da Agência Fonte Exclusiva

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