EUA e Ucrânia assinam acordo sobre exploração de minerais

Texto cria fundo de "investimento em reconstrução" da Ucrânia, mas detalhes ainda não foram divulgados.

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Yulia Svyrydenko (à dir.), vice-primeira-ministra e ministra da Economia da Ucrânia, foi a Washington para assinar o contrato. Pelos EUA, assinou o secretário do Tesouro Scott Bessent. (Foto: US Treasury Departement/dpa/picture alliance )

Os Estados Unidos e a Ucrânia assinaram um acordo para criar um fundo de “investimento para a reconstrução”, confirmaram os dois países na quarta-feira (30/04) em Washington.

Os detalhes específicos ainda não foram divulgados, mas acredita-se que o acordo dê a Washington acesso privilegiado aos recursos minerais ucranianos, que são cruciais para as indústrias de alta tecnologia.

A vice-primeira-ministra e ministra da Economia da Ucrânia, Yulia Svyrydenko, que assinou o acordo em Washington, afirmou que a Ucrânia manteria a propriedade total de todos os seus recursos minerais.

O presidente dos EUA, Donald Trump, disse na noite de quarta-feira que o acordo, “em teoria”, significa que os EUA receberão mais da Ucrânia do que contribuíram. “Queria estar protegido”, afirmou, acrescentando que não queria parecer “tolo” por não receber de volta o dinheiro da ajuda americana à Ucrânia na guerra contra a Rússia.

Ucrânia afirma que manterá controle sobre os minerais
Svyrydenko disse que o fundo seria administrado em conjunto pelos dois países, e escreveu na rede social X que “é o Estado ucraniano que determina o quê e de onde extrair”. “Nenhum dos lados terá um voto dominante – um reflexo da parceria igualitária entre nossas duas nações.”

O primeiro-ministro ucraniano, Denys Shmybal, afirmou que o fundo seria gerido 50% pelos EUA e 50% pela Ucrânia, que seu país manteria o “controle total sobre seus recursos minerais”, e que funcionaria apenas para novos investimentos.

Para EUA, acordo mostra compromisso com “processo de paz”

O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, disse que o governo americano estava comprometido em contribuir para o fim da guerra, após a invasão em grande escala da Ucrânia pela Rússia em 2023.

“Esse acordo sinaliza claramente para a Rússia que o governo Trump está comprometido com um processo de paz centrado em uma Ucrânia livre, soberana e próspera no longo prazo”, disse.

O Tesouro dos EUA afirmou em seu site que a parceria econômica permitiria que os dois países “trabalhassem em colaboração e investissem juntos para garantir que nossos ativos, talentos e capacidades mútuos possam acelerar a recuperação econômica da Ucrânia”.

Trump buscava compensação pelo apoio dos EUA

Ao retornar à Casa Branca em janeiro de 2025, Trump prometeu que acabaria rapidamente com a guerra entre a Ucrânia e a Rússia, mas também reclamou que Kiev não estava garantindo compensação suficiente pelo apoio militar e financeiro que recebeu dos americanos, e insistiu que Washington deveria receber mais em troca.

“O presidente Trump imaginou essa parceria entre o povo americano e o povo ucraniano para mostrar o compromisso de ambos os lados com a paz duradoura e a prosperidade na Ucrânia”, disse Bessent. “E, para deixar claro, nenhum Estado ou pessoa que financiou ou abasteceu a máquina de guerra russa poderá se beneficiar da reconstrução da Ucrânia.”

O Parlamento ucraniano ainda terá que ratificar o acordo antes que ele entre em vigor. O primeiro-ministro ucraniano, Denys Shmybal, afirmou que o processo de ratificação poderia ser iniciado já nesta quinta-feira.

As negociações sobre o acordo estiveram à beira do colapso em março, após um bate-boca na Casa Branca entre Trump e o presidente ucraniano Volodimir Zelenski.

Da Agência Fonte Exclusiva, com informações da DW Brasil.

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