Entrada de migrantes em Ceuta provoca mortes e tensão entre países europeus

Itália anunciou controles temporários para passageiros vindos da Espanha, enquanto outros países reforçaram a fiscalização

Entrada em massa de migrantes sobrecarrega Ceuta e provoca crise humanitária e diplomática na Europa.

Imagem | Reprodução/AP/Antonio Sempere

Cerca de 60 mil migrantes atravessaram a fronteira entre o Marrocos e Ceuta, enclave espanhol localizado no norte da África, em um período de aproximadamente 24 horas. Ao menos 57 pessoas morreram durante as travessias, segundo informações divulgadas pelas autoridades e pela imprensa internacional.

A quantidade exata varia entre as fontes. A Reuters informou que mais de 50 mil pessoas entraram no território, enquanto a Associated Press citou uma estimativa próxima de 60 mil. Ceuta tem cerca de 83 mil habitantes e teve sua estrutura de acolhimento rapidamente sobrecarregada.

As mortes ocorreram principalmente por afogamento entre pessoas que tentaram contornar a fronteira pelo mar. Outras vítimas morreram durante uma debandada próxima ao posto fronteiriço da Praia do Tarajal.

Caos na fronteira

A Espanha mobilizou militares e forças policiais para reforçar a segurança em Ceuta. Do lado marroquino, agentes utilizaram equipamentos de controle de distúrbios para impedir novas tentativas de travessia.

O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, visitou o enclave e classificou o episódio como uma violação da integridade territorial do país. O governo espanhol atribuiu parte do movimento à atuação de redes de tráfico de pessoas e à circulação de informações sobre uma recente decisão judicial envolvendo devoluções de migrantes.

Centros de acolhimento ficaram lotados, e milhares de pessoas permaneceram nas ruas. Entre os recém-chegados estavam famílias, adolescentes e crianças desacompanhadas.

Retorno ao Marrocos

A maior parte dos migrantes deixou Ceuta poucas horas depois. Até a tarde de sexta-feira (31), cerca de 48,3 mil pessoas haviam retornado voluntariamente ao Marrocos, segundo o governo espanhol.

Relatos indicam que muitos decidiram voltar diante da falta de alimentação, abrigo e possibilidades de seguir viagem para a Europa continental.

A União Europeia afirmou que não havia movimentação dos migrantes de Ceuta em direção ao restante do bloco. Os controles para a saída do enclave permaneceram ativos.

Reação europeia

A crise provocou tensão entre Espanha e Itália. O governo italiano anunciou a adoção de controles temporários para passageiros não europeus que viajassem de portos e aeroportos espanhóis. A medida terá duração prevista de um mês.

A decisão não representa a retirada completa da Espanha do Espaço Schengen. Na prática, a Itália restabeleceu verificações específicas para determinados viajantes procedentes do território espanhol.

A França também reforçou a fiscalização em sua fronteira com a Espanha, enquanto autoridades europeias manifestaram apoio ao governo espanhol e pediram rapidez na organização dos retornos.

A situação começou a apresentar sinais de estabilização após o retorno da maioria dos migrantes, mas o episódio reacendeu o debate europeu sobre controle de fronteiras, acolhimento humanitário e políticas migratórias.

*Da Agência Fonte Exclusiva

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