Cerca de 60 mil migrantes atravessaram a fronteira entre o Marrocos e Ceuta, enclave espanhol localizado no norte da África, em um período de aproximadamente 24 horas. Ao menos 57 pessoas morreram durante as travessias, segundo informações divulgadas pelas autoridades e pela imprensa internacional.
A quantidade exata varia entre as fontes. A Reuters informou que mais de 50 mil pessoas entraram no território, enquanto a Associated Press citou uma estimativa próxima de 60 mil. Ceuta tem cerca de 83 mil habitantes e teve sua estrutura de acolhimento rapidamente sobrecarregada.
As mortes ocorreram principalmente por afogamento entre pessoas que tentaram contornar a fronteira pelo mar. Outras vítimas morreram durante uma debandada próxima ao posto fronteiriço da Praia do Tarajal.
Caos na fronteira
A Espanha mobilizou militares e forças policiais para reforçar a segurança em Ceuta. Do lado marroquino, agentes utilizaram equipamentos de controle de distúrbios para impedir novas tentativas de travessia.
O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, visitou o enclave e classificou o episódio como uma violação da integridade territorial do país. O governo espanhol atribuiu parte do movimento à atuação de redes de tráfico de pessoas e à circulação de informações sobre uma recente decisão judicial envolvendo devoluções de migrantes.
Centros de acolhimento ficaram lotados, e milhares de pessoas permaneceram nas ruas. Entre os recém-chegados estavam famílias, adolescentes e crianças desacompanhadas.
Retorno ao Marrocos
A maior parte dos migrantes deixou Ceuta poucas horas depois. Até a tarde de sexta-feira (31), cerca de 48,3 mil pessoas haviam retornado voluntariamente ao Marrocos, segundo o governo espanhol.
Relatos indicam que muitos decidiram voltar diante da falta de alimentação, abrigo e possibilidades de seguir viagem para a Europa continental.
A União Europeia afirmou que não havia movimentação dos migrantes de Ceuta em direção ao restante do bloco. Os controles para a saída do enclave permaneceram ativos.
Reação europeia
A crise provocou tensão entre Espanha e Itália. O governo italiano anunciou a adoção de controles temporários para passageiros não europeus que viajassem de portos e aeroportos espanhóis. A medida terá duração prevista de um mês.
A decisão não representa a retirada completa da Espanha do Espaço Schengen. Na prática, a Itália restabeleceu verificações específicas para determinados viajantes procedentes do território espanhol.
A França também reforçou a fiscalização em sua fronteira com a Espanha, enquanto autoridades europeias manifestaram apoio ao governo espanhol e pediram rapidez na organização dos retornos.
A situação começou a apresentar sinais de estabilização após o retorno da maioria dos migrantes, mas o episódio reacendeu o debate europeu sobre controle de fronteiras, acolhimento humanitário e políticas migratórias.
*Da Agência Fonte Exclusiva
