Pesquisadores de diferentes instituições internacionais acompanham com atenção a possibilidade de formação de um novo Super El Niño, fenômeno climático capaz de provocar eventos extremos em várias partes do mundo.
A preocupação se deve às semelhanças observadas com o episódio histórico registrado entre 1877 e 1878, considerado por especialistas um dos mais devastadores desastres ambientais já enfrentados pela humanidade.
De acordo com reportagem publicada pelo jornal norte-americano The Washington Post, o chamado Super El Niño do século XIX esteve associado a secas prolongadas, crises alimentares e milhões de mortes em países como Índia, China, Brasil e outras regiões tropicais e subtropicais.
Estimativas apontam que entre 3% e 4% da população mundial da época foi afetada pelas consequências do fenômeno.
O El Niño ocorre quando há um aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, alterando padrões climáticos em diferentes continentes.
Em eventos de grande intensidade, os impactos podem incluir secas severas, enchentes, perdas agrícolas, aumento dos preços dos alimentos e prejuízos econômicos significativos.
Segundo os pesquisadores, a crise observada no século XIX não foi causada apenas pelas condições climáticas. Fatores sociais, econômicos e políticos também contribuíram para agravar a situação.
Em diversas regiões, comunidades perderam mecanismos tradicionais de adaptação devido a políticas impostas durante períodos coloniais, tornando a população mais vulnerável aos efeitos da seca.
A professora associada da Universidade Estadual de Washington, Deepti Singh, destaca que eventos semelhantes aos da década de 1870 ainda podem ocorrer. No entanto, ela alerta que o cenário atual apresenta um agravante: o aquecimento global.
Com oceanos e atmosfera significativamente mais quentes do que há quase 150 anos, fenômenos extremos associados ao El Niño podem se manifestar de forma ainda mais intensa. Isso inclui ondas de calor, secas prolongadas, chuvas extremas e impactos sobre a produção agrícola e os recursos hídricos.
Especialistas observam que as temperaturas dos oceanos registradas em 2026 podem alcançar níveis recordes em algumas áreas do Pacífico. Apesar disso, a comunidade científica dispõe atualmente de ferramentas muito mais avançadas para monitorar e prever o comportamento do clima.
Atualmente, uma ampla rede de monitoramento composta por milhares de instrumentos oceânicos fornece dados em tempo real sobre as condições do Pacífico, permitindo acompanhar diariamente a evolução do fenômeno e emitir alertas antecipados para governos e populações.
Os cientistas alertam que um Super El Niño pode representar riscos para a segurança alimentar, hídrica e econômica de diversos países, gerando efeitos que ultrapassam fronteiras devido à interconexão dos mercados globais.
Ainda assim, especialistas avaliam que uma tragédia humanitária nas proporções observadas em 1877 é considerada improvável. O avanço da ciência climática, dos sistemas de previsão meteorológica e das políticas de resposta a desastres oferece hoje melhores condições para reduzir impactos e proteger populações vulneráveis.
Mesmo com esses avanços, pesquisadores reforçam a necessidade de monitoramento constante e planejamento preventivo diante dos desafios impostos pelas mudanças climáticas globais.
*Da Agência Fonte Exclusiva
