Crise no Estreito de Ormuz leva Japão a discutir uso da autodefesa coletiva

Autoridades japonesas avaliam impacto do bloqueio da rota petrolífera mais estratégica do mundo diante da escalada militar no Oriente Médio.

Japão avalia acionar direito de autodefesa coletiva após bloqueio do Estreito de Ormuz

O Estreito de Ormuz visto por um satélite. 📸 Reprodução/RT

O governo do Japão informou nesta terça-feira (3) que está avaliando a possibilidade de acionar o mecanismo de autodefesa coletiva diante do bloqueio do Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais importantes para o transporte de petróleo no mundo.

A declaração foi feita pelo secretário-chefe do gabinete japonês, Minoru Kihara, principal porta-voz do governo, segundo informações divulgadas pelo portal Japan Times.

De acordo com o governo japonês, ainda não há uma definição sobre se o fechamento da passagem marítima, provocado pela escalada das tensões no Oriente Médio, configura uma situação que a legislação japonesa classifica como ameaça à sobrevivência do país. Caso essa condição seja reconhecida oficialmente, o Japão poderia acionar o mecanismo de autodefesa coletiva.

“O governo tomará uma decisão com base nas circunstâncias específicas e em todas as informações disponíveis”, afirmou Kihara durante entrevista coletiva.

A discussão ganhou força após ataques contra navios petroleiros que atravessavam o Estreito de Ormuz, localizado entre o Irã e Omã. A região é considerada um dos pontos mais estratégicos do comércio global de energia, já que por ali passa uma parcela significativa do petróleo exportado no mundo.

Autoridades iranianas anunciaram o fechamento do tráfego marítimo no estreito em meio à intensificação do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. Relatos indicam que diversas embarcações comerciais e petroleiros foram alvo de ataques na região.

Diante do risco de agravamento da crise, o ministro das Relações Exteriores do Japão, Toshimitsu Motegi, entrou em contato com o chanceler de Omã, Sayyid Badr bin Hamad al Busaidi. O objetivo foi solicitar cooperação para garantir a segurança das rotas marítimas e a proteção de cidadãos japoneses que se encontram no Oriente Médio.

Ao mesmo tempo, representantes diplomáticos iranianos pediram ao governo japonês que condene os ataques realizados por Estados Unidos e Israel contra o território iraniano.

A possibilidade de uso da autodefesa coletiva é um tema sensível dentro da política de segurança do Japão. A Constituição do país, adotada após a Segunda Guerra Mundial, estabelece limites rigorosos à participação japonesa em conflitos armados.

O texto constitucional proíbe o Japão de manter forças armadas com finalidade ofensiva ou participar de guerras de agressão. No entanto, interpretações jurídicas adotadas nas últimas décadas abriram espaço para o uso da autodefesa coletiva em situações consideradas excepcionais.

Nesse contexto, o país poderia prestar apoio militar a aliados estratégicos, como os Estados Unidos, caso um ataque contra esses parceiros represente uma ameaça direta à segurança ou à sobrevivência do Japão.

*Da Agência Fonte Exclusiva

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