Crise no Estreito de Hormuz leva petroleiros russos a redirecionar petróleo para a Índia

Nova Délhi revisa estratégia energética diante de risco de interrupção no Golfo

Conflito no Golfo altera rotas marítimas e pressiona mercado global de energia.

Imagem | Divulgação

A escalada da crise no Oriente Médio e as dificuldades de navegação no Estreito de Hormuz estão provocando mudanças no comércio global de petróleo. Dados de rastreamento marítimo indicam que petroleiros russos carregados com petróleo bruto da variedade Urals alteraram seus destinos e passaram a seguir para a Índia.

Segundo informações das plataformas de monitoramento Kpler e Vortexa, ao menos dois navios transportando cerca de 1,4 milhão de barris mudaram suas rotas originalmente previstas para o Leste Asiático. As cargas foram redirecionadas para portos indianos em meio à incerteza sobre o abastecimento energético na região.

Um dos navios, o Odune, transportando aproximadamente 730 mil barris, chegou ao porto de Paradip, no leste da Índia. Outro petroleiro, o Matari, com mais de 700 mil barris a bordo, tem chegada prevista ao porto de Vadinar, no oeste do país. Um terceiro navio, o Indri, também alterou sua rota no Mar Arábico e segue em direção à Índia com volume semelhante de petróleo.

Os três petroleiros foram alvo de sanções impostas pelo Reino Unido e pela União Europeia neste ano.

A mudança de rota ocorre em meio ao agravamento da crise no Estreito de Hormuz, passagem estratégica por onde circula grande parte do petróleo mundial. Aproximadamente 40% das importações de petróleo bruto da Índia transitam por essa rota marítima.

A situação se agravou após ataques realizados pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irã no final de fevereiro. Em resposta, o Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica iraniano declarou o estreito fechado e ameaçou atacar embarcações que tentassem cruzar a região. Relatos indicam que diversos navios foram danificados e cerca de 150 embarcações ficaram retidas.

A Índia, terceira maior consumidora de petróleo do planeta, depende fortemente de importações para abastecer suas refinarias. O país processa cerca de 5,6 milhões de barris de petróleo por dia e possui reservas estratégicas suficientes para aproximadamente 25 dias de consumo.

Diante do cenário de incerteza, autoridades indianas e representantes das refinarias estatais se reuniram para discutir estratégias de contingência. O Ministério do Petróleo do país informou que acompanha de perto a evolução da crise.

Para a Rússia, a situação pode representar uma oportunidade de ampliar suas exportações. Estima-se que cerca de 9,5 milhões de barris de petróleo russo estejam atualmente a bordo de navios próximos às águas indianas e possam chegar ao país nas próximas semanas.

Nos últimos meses, as importações indianas de petróleo russo haviam diminuído após pressões políticas dos Estados Unidos. No entanto, com a instabilidade no fornecimento vindo do Oriente Médio, Nova Délhi pode voltar a ampliar as compras.

Especialistas apontam que qualquer aumento nas aquisições de petróleo russo ainda dependerá das decisões do governo indiano, especialmente diante das negociações comerciais em andamento com Washington.

*Da Agência Fonte Exclusiva

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