Conservadores britânicos propõem força-tarefa de imigração inspirada no ICE de Trump

Plano prevê orçamento bilionário e uso de reconhecimento facial sem aviso prévio

Conservadores querem criar força-tarefa de imigração inspirada no ICE de Trump, com meta de 150 mil deportações anuais.

Imagem: Reprodução / Kemi Badenoch X

O Partido Conservador do Reino Unido anunciou que pretende criar uma força-tarefa de imigração inspirada no ICE (Imigração e Fiscalização Aduaneira), órgão norte-americano que ganhou destaque durante o governo de Donald Trump. A proposta deve ser oficializada pela líder do partido, Kemi Badenoch, neste domingo (5), na conferência conservadora em Manchester.

De acordo com os planos, a nova estrutura teria como meta deportar 150 mil pessoas por ano e receberia £ 1,6 bilhão em recursos, além de “novos poderes abrangentes”. Entre eles, estaria o uso de tecnologia de reconhecimento facial sem aviso prévio para identificar imigrantes em situação irregular.

Os agentes dessa força de remoção atuariam em parceria com a polícia, que passaria a realizar verificações de imigração em todas as pessoas paradas ou presas. Badenoch argumenta que o modelo do ICE foi “bem-sucedido” nos Estados Unidos, embora a agência tenha enfrentado duras críticas por práticas abusivas e acusações de discriminação racial.

A proposta conservadora surge em meio ao crescimento recorde da imigração irregular pelo Canal da Mancha. Segundo dados oficiais, 34.401 pessoas já atravessaram em pequenos barcos em 2025, colocando o ano a caminho de se tornar o de maior número de chegadas da história.

Além da criação da força-tarefa, Badenoch pretende anunciar uma reforma radical no sistema de asilo, restringindo o status de refugiado apenas a pessoas perseguidas diretamente por governos estrangeiros. Fugitivos de guerras ou de países com leis repressivas sobre religião e sexualidade ficariam de fora.

Imagem: Reprodução

O plano inclui ainda o fim dos tribunais de imigração, transferindo decisões para o Ministério do Interior e limitando os direitos de apelação. Também prevê a retirada do direito à assistência jurídica gratuita, sob o argumento de que advogados estariam “fraudando o sistema”.

No sábado, Badenoch declarou que os conservadores retirariam o Reino Unido da Convenção Europeia dos Direitos Humanos (CEDH), caso retornem ao poder. A decisão, segundo ela, é “necessária para proteger as fronteiras e os cidadãos britânicos”.

O tema da imigração domina a agenda política e pressiona os conservadores, que enfrentam queda nas pesquisas e a ascensão do Partido Reformista, liderado por Nigel Farage. Ele já prometeu deportar até 600 mil pessoas em seu primeiro mandato, caso seja eleito.

*Da Agência Fonte Exclusiva.

Sair da versão mobile