Brasil envia 48 toneladas de leite em pó para ajudar população de Cuba

Carga transportada pela Força Aérea Brasileira deve chegar a Santiago de Cuba nesta quarta-feira, em meio à escassez de alimentos e combustíveis.

Brasil envia 48 toneladas de leite em pó a Cuba em operação humanitária realizada pela FAB diante da crise de alimentos, combustíveis e energia.

Imagem: Ilustração/ Agência Fonte Exclusiva

O governo brasileiro iniciou uma operação humanitária para enviar 48 toneladas de leite em pó a Cuba, país que enfrenta uma grave crise de abastecimento, marcada pela falta de alimentos, combustíveis, medicamentos e outros produtos essenciais.

A carga foi dividida entre duas aeronaves da Força Aérea Brasileira (FAB). O primeiro avião decolou na tarde de segunda-feira (13) da Base Aérea de Canoas, no Rio Grande do Sul, transportando 16 toneladas do alimento.

O segundo voo foi programado para partir nesta terça-feira (14) de Porto Alegre com as 32 toneladas restantes. A previsão é que os dois carregamentos cheguem a Santiago de Cuba nesta quarta-feira, 15 de julho.

Segundo a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, a iniciativa busca contribuir para o enfrentamento da situação de desabastecimento vivida pela população cubana.

Após o desembarque, o leite em pó deverá ser entregue às autoridades locais, responsáveis pela definição dos critérios e das regiões atendidas. O produto poderá auxiliar principalmente famílias em situação de maior vulnerabilidade.

Crise afeta alimentação, energia e transporte

Cuba enfrenta uma das mais graves crises econômicas e energéticas das últimas décadas. A escassez de combustível, agravada pelas restrições impostas pelos Estados Unidos às remessas de petróleo, reduziu a capacidade de geração de energia e provocou apagões frequentes e prolongados.

A deterioração da infraestrutura elétrica e as dificuldades econômicas internas também contribuem para a instabilidade do sistema. Em julho, o país registrou sucessivos colapsos da rede nacional, deixando milhões de moradores sem eletricidade. Em algumas regiões, a população recebe energia por poucas horas ao dia.

A falta de eletricidade interfere no funcionamento de residências, hospitais, comércios e serviços públicos. O abastecimento de água também é prejudicado, já que muitas bombas dependem de energia para operar.

A crise afeta ainda a conservação dos alimentos. Com os apagões prolongados, moradores evitam manter produtos perecíveis em geladeiras, enquanto comerciantes acumulam prejuízos com a perda de mercadorias.

A redução da oferta de produtos básicos e a desvalorização da moeda cubana tornaram mais difícil o acesso da população a alimentos e medicamentos. Escolas reduziram horários, serviços de saúde enfrentam falta de insumos e diversas famílias dependem de redes comunitárias e de ajuda enviada por parentes que vivem no exterior.

O transporte público também foi afetado pela falta de combustível. A circulação de ônibus e trens foi reduzida, dificultando o deslocamento de trabalhadores e moradores. Diante da escassez de gasolina e diesel, veículos elétricos e triciclos movidos a energia solar passaram a ocupar parte das rotas anteriormente atendidas por ônibus.

Governo avalia novas remessas

A Secretaria de Comunicação Social informou que o governo brasileiro analisa a possibilidade de ampliar a assistência humanitária. Novas operações poderão incluir outros alimentos e medicamentos, mas ainda não foram divulgadas quantidades ou possíveis datas para os próximos carregamentos.

A remessa dá continuidade às iniciativas brasileiras de apoio à população cubana. Em 2025, o Brasil também enviou ajuda humanitária após os danos provocados pelo furacão Melissa, que atingiu áreas da ilha e agravou os problemas de infraestrutura e abastecimento.

A operação atual, no entanto, ocorre em um contexto de prolongada escassez energética. As restrições ao fornecimento de petróleo, somadas às limitações estruturais da rede elétrica e às dificuldades econômicas do país, afetaram a produção, o transporte e a distribuição de itens essenciais.

Embora a entrega das 48 toneladas de leite em pó represente uma ação emergencial e de alcance limitado diante da dimensão da crise, o carregamento poderá ajudar a reduzir temporariamente os impactos da insegurança alimentar sobre as parcelas mais vulneráveis da população.

*Da Agência Fonte Exclusiva

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