Recursos devolvidos a clientes do Master foram direcionados a grandes bancos, diz BC

Relatório financeiro aponta ausência de efeitos sistêmicos após liquidação extrajudicial.

Banco Central monitora movimentação de recursos após liquidação do conglomerado Master e destaca estabilidade.

📸Reprodução/Marcello Casal Jr/AgênciaBrasil

O Banco Central do Brasil afirmou nesta segunda-feira (25) que a liquidação extrajudicial das instituições ligadas ao conglomerado Master não provocou impactos relevantes no sistema financeiro nacional.

A análise faz parte do Relatório de Estabilidade Financeira referente ao segundo semestre de 2025.

Segundo o documento divulgado pela autoridade monetária, os recursos devolvidos aos clientes após a intervenção foram direcionados principalmente para bancos de maior porte, sem gerar instabilidade no mercado bancário brasileiro.

De acordo com os dados apresentados, o Fundo Garantidor de Créditos realizou pagamentos de R$ 37,7 bilhões a clientes do Master, Master BI e Letsbank entre janeiro e fevereiro deste ano.

Do total ressarcido, mais da metade foi aplicada em títulos emitidos por instituições financeiras. Outra parcela foi destinada a títulos privados, enquanto parte dos recursos seguiu outros caminhos de investimento.

O relatório destaca que os maiores bancos do país concentraram grande parte desse dinheiro. As instituições classificadas pelo Banco Central como S1, grupo que reúne bancos de maior relevância econômica e presença internacional, receberam a maior fatia dos valores movimentados.

Já os bancos classificados como S2, considerados instituições de grande porte com importância sistêmica, também absorveram parcela significativa dos recursos.

Durante a apresentação do relatório, o diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, afirmou que a movimentação financeira foi acompanhada detalhadamente pela equipe técnica do órgão.

Segundo Aquino, a autoridade monetária monitorou individualmente as transferências realizadas após o ressarcimento aos clientes, reforçando que o episódio não trouxe ameaça à estabilidade do sistema bancário.

Na semana anterior, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, também havia minimizado possíveis riscos relacionados ao caso, destacando o tamanho reduzido do conglomerado em comparação ao total de ativos do sistema financeiro brasileiro.

O Banco Central reforçou ainda que o sistema financeiro nacional segue sólido, mesmo diante do cenário de juros elevados e crescimento da inadimplência entre famílias e empresas.

Segundo o relatório, os bancos brasileiros continuam apresentando níveis considerados confortáveis de capitalização e liquidez, além de capacidade para enfrentar cenários econômicos adversos.

O documento também mostrou desaceleração no ritmo de concessão de crédito ao longo de 2025. Entre as famílias, houve aumento do comprometimento da renda e avanço da inadimplência em diferentes modalidades de empréstimo.

Apesar disso, o BC avaliou que as instituições financeiras possuem provisões suficientes para absorver possíveis perdas futuras.

Outro destaque do relatório foi o avanço do Pix, que respondeu por 29% das transações de varejo realizadas no segundo semestre de 2025, consolidando sua relevância no sistema de pagamentos do país.

*Da Agência Fonte Exclusiva 

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