Projeto de terras raras em Minas Gerais fecha acordo de US$ 915 milhões

Viridis Mining e Solvay firmaram contrato para fornecimento de minerais estratégicos extraídos em Poços de Caldas, com entregas previstas entre 2029 e 2034.

Acordo entre Viridis Mining e Solvay prevê receita mínima de US$ 915 milhões com terras raras de projeto em Minas Gerais e pode impulsionar o processamento desses minerais no Brasil.

Imagem: Reprodução/Viridis Mining/ Via RT

O Brasil deu mais um passo para ampliar sua participação no mercado internacional de minerais estratégicos. A mineradora australiana Viridis Mining and Minerals firmou um acordo comercial com a empresa química Solvay para fornecer terras raras extraídas do projeto Colossus, em Poços de Caldas, no sul de Minas Gerais. O contrato prevê uma receita mínima estimada em US$ 915 milhões entre 2029 e 2034.

A informação foi divulgada pelo portal UOL, com base em reportagem da agência Reuters. O compromisso estabelece a compra de volumes mínimos de carbonato misto de terras raras, conhecido pela sigla MREC, pela Solvay. O fornecimento deverá começar após o início da produção comercial do empreendimento, previsto atualmente para 2028.

De acordo com a Viridis, o contrato contempla aproximadamente 70% da produção planejada do projeto. A projeção financeira considera as quantidades mínimas previstas e os preços estabelecidos para os principais elementos magnéticos presentes no material.

O valor estimado, porém, não representa um pagamento antecipado. A receita dependerá da produção e do cumprimento das entregas previstas ao longo do período contratual.

Solvay terá preferência na compra de produção adicional

O acordo também garante à Solvay o direito de primeira oferta sobre os volumes de carbonato misto de terras raras que excederem a quantidade mínima contratada.

Na prática, caso a Viridis tenha material adicional disponível para comercialização, a empresa química terá prioridade para apresentar uma proposta de compra. A condição não obriga a Solvay a adquirir toda a produção excedente, mas oferece à companhia a oportunidade de negociar esses volumes antes de outros interessados.

O contrato representa um avanço comercial para o projeto Colossus, já que estabelece antecipadamente um comprador para uma parcela expressiva da produção futura, mesmo antes do início das operações.

Empresas estudam ampliar o processamento de terras raras no Brasil

Além do fornecimento mineral, Viridis e Solvay também negociam um possível acordo de licenciamento de tecnologia e prestação de serviços técnicos.

A proposta é aproveitar a experiência da empresa química para aprimorar o processamento do material extraído em Minas Gerais. O objetivo é produzir um carbonato misto de terras raras mais refinado e com maior valor agregado.

A iniciativa pode contribuir para ampliar as etapas de beneficiamento realizadas em território brasileiro, reduzindo a dependência de processos concentrados em outros países e fortalecendo a cadeia nacional desses minerais.

As terras raras são utilizadas em diferentes setores industriais e tecnológicos. Entre suas aplicações estão os ímãs permanentes empregados em motores elétricos, equipamentos eletrônicos, turbinas eólicas e outras tecnologias ligadas à transição energética.

Por isso, o desenvolvimento de estruturas de processamento no Brasil é considerado estratégico para aumentar o valor agregado da produção mineral e ampliar a presença do país no mercado internacional.

Contrato pode ajudar a viabilizar financiamento do empreendimento

Para a Viridis, o compromisso firmado com a Solvay também representa uma redução dos riscos comerciais do projeto Colossus. Com a garantia de compra de uma parte significativa da produção futura, a mineradora passa a ter maior previsibilidade de receitas.

Essa condição pode facilitar as negociações com instituições financeiras e contribuir para a obtenção de financiamento por dívida, recurso necessário para viabilizar a construção do empreendimento.

A execução do projeto ainda depende da conclusão dessa etapa financeira e do cumprimento do cronograma de implantação. A previsão atual da empresa é iniciar a produção comercial em 2028, com fornecimentos à Solvay a partir do ano seguinte.

Com o contrato, o empreendimento de Poços de Caldas ganha um comprador estratégico para boa parte de sua produção planejada. A possível ampliação das atividades de processamento também abre espaço para que o Brasil avance além da extração e conquiste etapas de maior valor na cadeia global de terras raras.

*Da Agência Fonte Exclusiva

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